O preço mínimo da cesta básica em Bauru no mês de setembro ficou em R$ 171,64, valor 5,3% menor do que os R$ 181,40 apurados no mesmo período do ano passado, segundo aponta o levantamento mensal feito pelo instituto Data-ITE. Pesquisas indicam que o preço tem se mantido estável durante todo o ano, com pequenas variações para mais ou para menos. No entanto, a população afirma estar gastando mais para comprar os mesmos itens nos últimos meses.
“No mês passado estava mais em conta”, respondeu, de imediato, o vigilante João Farias, com o respaldo da esposa Marcilene quando indagados sobre os preços dos produtos da cesta básica. Ontem, eles faziam compras num supermercado do Jardim Redentor.
De acordo com Marcilene, os itens comprados para sustentar a família de três pessoas são os mesmos todos os meses. “Em agosto gastei R$ 350,00. Pelo que estou vendo, neste mês o valor vai beirar os R$ 400,00”, afirma a vendedora, que aponta aumentos nos preços dos enlatados e do óleo de soja. “Hoje não encontrei nada em promoção”, completou.
A estudante Maria Lidiane Bom, que normalmente faz compras mensais para a família de cinco pessoas, também percebeu um ligeiro aumento. “Compro sempre os mesmos itens. Geralmente gastava R$ 600,00. Em agosto foi R$ 650,00”, revela. Com a ajuda do irmão, Lidiane apontou aumento nos preços do extrato de tomate e do arroz se comparado ao mês de agosto - quando, segundo o Data-ITE, o preço mínimo da cesta em Bauru foi de R$ 171,92, ou seja, 5,9% a menos do que no mês anterior e 11% menos na comparação com agosto do ano passado.
A pesquisa do Data-ITE indica que o arroz realmente teve ligeira alta de 0,96% em setembro. O extrato de tomate se manteve estável. Já o óleo de soja teve queda de 0,5% segundo a pesquisa, que leva em consideração apenas os itens de valor mais baixo, encontrados em supermercados de toda a cidade.
Arroz
Para o economista e consultor financeiro Adriano Fabri, essa disparidade entre a pesquisa e as afirmações dos consumidores acontece, principalmente, por uma questão cultural. “Geralmente, visualizamos mais os aumentos do que as quedas. Além disso, cada família tem sua própria inflação”, afirma.
Fabri aponta que famílias de diferentes níveis sociais sentem os reflexos de maneira diferente por consumirem produtos diferentes. “Pode ser que determinados itens realmente sofram aumentos”, explica.
O economista acredita que os números apontados pela pesquisa são incontestáveis. “O próprio setor supermercadista divulgou queda no volume de negociações durante o 1º semestre, indicando exatamente a baixa dos preços como o principal motivo”, revela Fabri, que aponta o setor de alimentos como o responsável por barrar aumentos na inflação, cuja expectativa é de 4% para este ano.
Marcos Renato Lourenção, gerente de compras de um supermercado no Jardim Redentor, acredita que as promoções podem ser responsáveis pela sensação de aumento para a população. “Existem duas situações: o preço do dia-a-dia e o das ofertas. Aquele que consegue visualizar as campanhas, aproveita”, afirma o gerente.
A dona de casa Rita de Cássia Saes Garcia, que compra os mesmo itens, das mesmas marcas, mensalmente, acredita que os preços realmente se mantêm estáveis. “Há quatro meses, tenho reparado que tenho gasto a mesma quantia, R$ 380,00”, afirma.
Sueli Custódio Kobayashi, que faz compras mensais para a família, também acredita que os preços não têm aumentado. “Tenho gasto sempre a mesma quantia. O que percebo é que existem produtos mais em conta, mas a qualidade não é mesma”, ressalta a consumidora.
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Ligeiras quedas
O gerente de compras de um supermercado do Redentor, Marcos Renato Lourenção, acredita que os preços se mantêm estáveis devido às negociações entre o estabelecimento e os fornecedores. “Os supermercados, em geral, barram a indústria, não deixando os preços subirem. Procuram negociar e não aceitar a imposição de valores dos fornecedores. Com isso, não há repasse”, afirma.
Lourenção aponta queda nos preços durante os últimos 12 meses. Segundo ele, o açúcar, que no ano passado era vendido a R$ 1,30, hoje é comercializado a R$ 1,00.
No caso do arroz, ele aponta estabilidade de preços nos últimos seis meses. Mesmo no caso do óleo de soja, que apesar de acompanhar a cotação do dólar por ser produto de exportação e ter tido problemas durante a safra, manteve os preços, segundo o gerente.
Para o Data-ITE, autor da pesquisa mensal sobre os valores da cesta básica, nada melhor do que gastar sola de sapato e pesquisar os preços.