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Automobilismo: Alonso racha Renault na hora da decisão

Por Fábio Seixas | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Suzuka - Os mecânicos fecham a cara para Fernando Alonso. A cúpula do time está irritada com Fernando Alonso. O companheiro de equipe rompeu com Fernando Alonso. E tudo isso, obra dele: Fernando Alonso. Em Suzuka, às vésperas da prova que pode decidir o Mundial, o espanhol empreendeu o que nem o mais fanático ferrarista conseguiria. Destruiu, arrasou o ambiente na Renault. E, a partir da madrugada de amanhã, dependerá de um time rachado para evitar o que soa cada vez mais real, o octacampeonato de Michael Schumacher.

O treino que define o grid do GP do Japão começa às 2h de sábado (de Brasília), com TV, e tem importância extra. Caso vença e Alonso não pontue, o ferrarista será campeão com uma etapa de antecedência. Alonso, ao que tudo indica, terá que se virar sozinho.

O estopim para a crise foi a entrevista coletiva que concedeu ontem. “Eu deveria ter recebido mais ajuda da equipe neste ano. Em alguns momentos, me senti sozinho”, disse o atual campeão, para em seguida dar exemplos de sua “solidão”.

“Houve dois GPs difíceis neste ano, em Indianápolis, onde não era competitivo, e em Xangai, onde perdi ritmo por dez voltas. Nessas horas, acredito que a equipe deveria ter agido.”

O espanhol também criticou o companheiro. “Na China, o (Giancarlo) Fisichella me atacou, lutamos, ele me ultrapassou, depois eu o ultrapassei... Essas coisas, esses riscos faltando três corridas para o fim do campeonato... Seu companheiro é um pouco... Não é bom o suficiente, eu acho”, afirmou.

O italiano recebeu as declarações com indignação. “Estou surpreso. Não sei por que ele disse isso. Eu corro por mim, não pelo Fernando. Não posso parar no meio da pista para ele passar. Já o ajudei bastante neste ano e se ele perder o título não será por minha culpa.”

O racha com Fisichella é apenas o último de uma série. No início da semana, Alonso irritou os dirigentes da Renault ao insinuar que estava sendo boicotado por integrantes do time que não gostariam que ele levasse o número 1 para a rival McLaren - já tem contrato assinado com a escuderia inglesa. Publicamente, numa tentativa de aplacar a crise, a direção da Renault declarou apoio ao piloto e afastou o mecânico que, por duas vezes, na Hungria e na China, atrapalhou-se ao trocar o pneu traseiro direito.

Ação e reação: a punição desagradou aos outros mecânicos, que em Suzuka já contaram a colegas de outros times a intenção de fazer corpo mole neste fim de semana. Schumacher não quis comentar os problemas do rival. Ante a insistência dos repórteres, definiu tudo com uma palavra: “Interessante”. E sorriu. Treino oficial para o GP do Japão, ao vivo, às 2h de sábado.

Felipe Massa

Se há alguém na Ferrari que torce ardorosamente para que Michael Schumacher garanta o título no Japão é Felipe Massa. O brasileiro vê na conquista antecipada do Mundial sua melhor chance de vencer o GP seguinte, no Brasil.

“Seria um sonho. Seria sensacional se ele vencesse o campeonato agora e eu ganhasse no Brasil. É difícil, mas não é impossível. Vamos trabalhar para conseguir”, disse Massa.

Caso a decisão se arraste até Interlagos, no dia 22, a chance de realizar o sonho será bem reduzida. Mais uma vez, ele seria chamado a atuar na luta pelo Mundial de Pilotos. O circuito paulistano não vê uma vitória brasileira desde 1993, com Ayrton Senna.

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