Bairros

Ausencia de vegetação torna região central mais quente

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

A falta de árvores no Centro faz com a região registre temperaturas maiores que em áreas periféricas da cidade. A afirmação é fruto da pesquisa realizada pelo estudante de geografia da Universidade do Sagrado Coração (USC) Pedro Moraes Trentini, de 22 anos.

Ele fez medições na praça Rodrigues de Abreu (no Centro) e no Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “As diferenças de temperatura registradas entre os dois pontos foi considerável, o que nos permite afirmar que em Bauru existe uma ‘ilha de calor’”, conta ele.

O termômetro colocado na praça Rodrigues de Abreu marcou em média 2,5ºC a mais do que o fixado no Ipmet. “É justamente isso que caracteriza uma ilha de calor: temperaturas maiores no Centro em relação à periferia da cidade”, explica Trentini, que foi orientado pelo professor José Carlos Rodrigues Rocha, coordenador do curso de geografia da USC.

Trentini lembra que, no início, muitas pessoas questionaram a validade de seu projeto. “Falavam que era uma fenômeno existente apenas nas grandes metrópoles, como São Paulo. Bauru seria muito pequena para possuir uma ilha de calor”, conta.

Os dados encontrados por ele, porém, além de confirmarem sua teoria, acabaram mostrando uma realidade preocupante. “Em junho de 2005 registrei uma diferença de 3,5º C, o que não deixa de representar um alerta”, lembra. Em São Paulo, por exemplo, a variação térmica entre áreas centrais e periféricas costuma chegar a 8ºC.

Para o estudante, a falta de vegetação é uma das principais causas para o calor registrado na região central de Bauru. “A coloração verde permite que as árvores absorvam mais os raios solares. É o contrário do que ocorre com o concreto – material predominante naquela área. Ele reflete os raios solares, que por sua vez fazem com que o ar se aqueça”, explica.

A solução para o problema, segundo Trentini, estaria na arborização do Centro. “O problema é que a região é muito valorizada e não há como derrubar os edifícios ali existentes. Um paliativo poderia ser a construção de canteiros com grama e arbustos em lugares como o Calçadão”, conclui.

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