Cultura

Dez anos sem a poesia de Renato Russo

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Talvez, em 1982, quando a Legião Urbana foi criada, seu líder, Renato Russo, não imaginava que seria o maior porta-voz da “geração Coca-Cola”, que ele mesmo intitulou. Passados dez anos de sua morte, hoje suas músicas ainda são trilha sonora e hino para legionários melancólicos de todo o Brasil que fazem coro à “Religião Urbana”, trocadilho entoado pelos fãs na década de 90 e rechaçado publicamente pelo cantor.

De suas composições, não são os arranjos simples que merecem destaque, mas a poesia ácida das letras, que consagraram como um dos maiores intérprete das angústias juvenis. Em suas letras, com tons autobiográficos, marcas de uma personalidade contestadora, sensível e solitária, como fica explícita em “Índios”, de 86. “Quem me dera, ao menos uma vez/ Como a mais bela tribo, dos mais belos índios/ Não ser atacado por ser inocente”.

São músicas compostas, em sua maioria, na contramão das exigências das gravadoras, como o épico “Faroeste Caboclo”, de 1987. Com dez minutos de duração e 159 versos, nenhum repetido, a música ficou na parada de sucesso de vários rádios do País. Agora a composição se transforma em filme, com roteiro de Paulo Lins e direção de René Sampaio.

Além desse, mais dois longas relacionados ao ídolo estão em fase de pré-produção: “Religião Urbana”, de Antonio Carlos da Fontoura, e “Eduardo e Mônica”, roteiro de Denise Bandeira, inspirado na letra. A vida do cantor também se transformou no musical “Renato Russo”, com direção de Mauro Mendonça Filho, que estréia hoje no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.

Gerações

O fato é que, mesmo passados dez anos da morte de Renato Russo, suas músicas - como a infelizmente contemporânea “Que País É Este?”, feita nos anos 70 e gravada nos 80 - continuam comovendo pessoas da geração dele - nascido em 1960 - e das que vieram depois, como a recepcionista bauruense Thaíse Fernanda Cruz da Silva, de 17 anos.

Ela tinha apenas 7 anos quando o cantor morreu vítima de doenças decorrentes da aids. O contato com as músicas de quem viria a ser seu ídolo aconteceu cinco anos depois, quando uma amiga lhe emprestou o CD “As Quatro Estações”, aos 12 anos de idade.

Hoje, Thaíse tem a coleção completa da Legião, mais os CDs solos de Renato Russo. Para ela, as músicas de Renato a fizeram olhar o mundo de outras perspectivas.

“Com as canções, passei a ter uma leitura crítica sobre os problemas sociais, além de passar a pensar mais na vida e nas pessoas que estavam ao meu redor. Renato Russo era uma pessoa que não tinha medo de dizer o que sentia e que era o que maioria das pessoas também sentia”, explica.

Já a jornalista Marcele Luize Pereira Ferreira, de 24 anos, conheceu as músicas de Renato em 1994, quando o cantor ainda era vivo. E foi a melancolia das letras que a encantaram. “Ele traduzia a vida com crueza e verdade e isso me fascinava”, descreve Marcele, que coleciona vinis e CDs de toda a trajetória da Legião Urbana.

Para cada fase da vida, Marcele tem uma música da banda como trilha sonora. Atualmente, está no som da jornalista “Marcianos invadem a terra”, lançada em 2001. “Agora, é a canção com a qual me identifico, porque acho que todo mundo é meio um marciano buscando seu lugar no mundo”, diz.

Mas, apesar de continuar escutando os CDs da banda, Marcele faz suas críticas. “O Renato glamurizava a tristeza. E, para mim, tristeza é doença e não glamour”.

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Vida

Renato Manfredini Júnior, mais conhecido como Renato Russo, nasceu no Rio de Janeiro em 1960 e, atualmente, é considerado um dos grandes compositores do rock brasileiro. Ao lado de Raul Seixas e Cazuza, tornou-se uma referência para seus fãs, que viam em sua música um resumo de suas próprias vidas.

Antes de virar um símbolo do rock da década de 80, Renato Russo foi professor de inglês, tendo aprendido o idioma quando morou em Nova Iorque, dos 7 aos 10 anos. Aos 13 anos, mudou-se para Brasília. Dos 15 aos 17 anos, conviveu com uma rara doença óssea, a epifisiólise, que o manteve preso à cama e à cadeira de rodas. Nessa época, lia bastante e ouvia muita música e foi quando começou a sonhar em montar uma banda de rock. O “Russo” que adotou como sobrenome artístico foi a forma que Renato encontrou de homenagear Jean-Jacques Rousseau e Bertrand Russel, personalidades que admirava.

Sua primeira banda foi o Aborto Elétrico, ao lado de Felipe Lemos e André Pretorius. Não durou muito, terminando com brigas entre Felipe e Renato. O Aborto foi a semente que deu origem à Legião Urbana e ao Capital Inicial, liderado por Dinho Ouro-Preto.

A Legião Urbana foi criada em 1982 e depois de algumas reformulações se consolidou com Renato Russo no vocal e baixo, Dado Villa-Lobos na guitarra e Marcelo Bonfá na bateria. Mas, em 1996, a banda acabou em decorrência da morte do cantor que, assim como Cazuza, faleceu em razão da aids (era soropositivo desde 1990), mas jamais revelou publicamente sua doença.

Ele morreu em seu apartamento, no Rio de Janeiro, pesando apenas 45 quilos. Seu corpo foi cremado no dia seguinte, dia 12 de outubro, no cemitério do Caju.

Fonte: www.wikipedia.com

Da Redação

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