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Esclarecer para incluir


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Hoje, 11 de outubro, é o Dia Nacional do Deficiente Físico. Datas comemorativas são importantes, porque suscitam reflexão e, no caso dos próximos homenageados, toda e qualquer informação é bem-vinda porque pode colaborar para a redução de preconceitos e o progresso da inclusão de uma significativa parcela da população. Avanços podem ser detectados, por exemplo, com a contratação de pessoas com deficiência pelas empresas. Esse movimento ocorre por força da lei que obriga as organizações com mais de cem funcionários a preencherem de 2% a 5% do quadro de profissionais com pessoas com deficiência.

A partir desse ingresso no ambiente de trabalho, é possível perceber que decorrem efeitos extremamente positivos, como mostra o depoimento de Gilmar Guimarães, supervisor de uma rede de supermercados na Bahia e parceiro do Programa para Pessoas com Deficiência do CIEE. Ele conta que cumprir a lei, a princípio, seria difícil porque imaginava que os funcionários especiais seriam incapazes de desempenhar atividades comerciais. Hoje, quarenta pessoas com deficiência atuam em dez unidades da rede. Gilmar afirma que a contratação permitiu tirar a venda do preconceito dos olhos e ver que é possível formar quadros de alto nível com esse pessoal.

O preconceito e a discriminação, aliás, são alguns dos muitos obstáculos enfrentados pelos 25 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência física, sensorial ou mental, correspondendo a 14,5% da população. Somam-se ainda outros, como a falta de capacitação para o trabalho e a garantia de acessibilidade. Programas como o do CIEE, que incentivam a inclusão de pessoas com deficiência nas empresas, pretendem colaborar com a diminuição da intolerância, infelizmente ainda presente. O caso da estudante Ana Paula Souza, que usa muletas e não consegue dobrar a perna por causa da poliomielite contraída aos oito meses, exemplifica isso tragicamente: ela não conseguiu a transferência de sua turma de Letras para uma sala adequada às suas necessidades porque estudantes do curso de Ciências Contábeis que ocupavam o recinto recusaram-se a desocupá-lo, justificando que “quem paga mais tem direito a uma sala melhor”.

São argumentos como esse que devem ser superados por intermédio de movimentos diversos para incluir as pessoas com deficiência, seja no ambiente de trabalho ou socialmente. Só assim será possível “reduzir a crueldade da sociedade baseada no desconhecimento”, usando as palavras do médico Juan Llerena, chefe do departamento de Medicina Genética do Instituto Fernandes Figueira, unidade da Fundação Oswaldo Cruz.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, da Academia Paulista de História - APH e diretor da Fiesp

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