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José Serra acusa presidente de misturar negócios do governo com os do PT

Folhapress
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São Paulo - O governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, utilizou o governo como se fosse propriedade do PT e que a legenda é “mestre” em “misturar governos com partido.”

“O PT misturou tudo. Usaram o governo como se fosse propriedade deles, e mais ainda, usaram o governo como se fosse propriedade de alguns deles”, disse durante encontro com deputados estaduais em Santa Bárbara D’Oeste (138 quilômetros a noroeste de SP). Serra fez ainda uma “mea culpa” sobre administração passada do PSDB. “Nós podemos ter errado muitas vezes no governo, mas eu garanto para vocês: nós acertamos muito mais que erramos.”

Segundo o tucano, a meta de seu partido é “no mínimo” fazer com que o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) tenha os mesmos votos que ele teve para o Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista). “A meta que nós temos, por baixo, são aqueles votos que eu tive, mais os eleitores que votaram na Heloísa Helena e no Cristovam Buarque”, afirmou. “Se nós avançarmos uns 500 mil votos em São Paulo, o que não é uma barbaridade, nós já vamos ter dado uma grande contribuição (para a eleição de Alckmin)”, acrescentou ele.

Segundo Serra, durante a campanha, vai ser importante para o eleitor mostrar “quem é acompanhado por quem. Porque ninguém governa sozinho.” Governo do Estado Serra confirmou que já definiu pelo menos um nome para seu secretariado e indicou Carlos Henrique Brito Cruz, ex-reitor da Unicamp, para ser um dos seus secretários.

Questionado sobre a indicação, ele comentou: “Claro que se ele quiser, ele pode ir para o governo. Onde, nós ainda não decidimos”. O tucano disse também que seu secretariado até poderia ser composto por representantes de vários partidos, mas que a responsabilidade pelos nomes, não seria somente dele.

Tática nazista

O vice-governador eleito de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), acusou ontem o presidente Lula de usar da tática nazista para tentar vencer Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto. Goldman disse que os aliados de Lula repetem o ministro de propaganda nazista Joseph Goebbels quando dizem inverdades sobre como seria um governo tucano. Goldman prevê para Lula e o PT o mesmo destino de Goebbels e dos nazistas. “Eles perderam a guerra e acabaram sendo condenados, muitos foram presos, sentenciados com a pena de morte. Do ponto de vista político, o presidente Lula e seu grupo estão com a morte política decretada”, afirmou.

A reação deve-se ao discurso do presidente Lula e de seus aliados, disseminado nos últimos dias, de que Alckmin, se eleito, iria privatizar empresas como a Petrobras e instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Em reunião com políticos mineiros que deram apoio à sua candidatura ontem, Lula repetiu que caso seu adversário vença a disputa, “destruirá” tudo o que ele fez nos últimos quatro anos.

“O Alckmin não vai destruir nada porque ele (Lula) não fez nada. Desconheço o que possa ser destruído. Não há uma mudança no país, uma reforma. A Bolsa Família foi iniciada por nós (no governo FHC) e não tem razão para ser destruída.

O dano maior para o país é a manutenção dessa gente no poder”, continuou. Pinóquio O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), também reagiu as declarações de Lula. Segundo Virgílio, “quem privatizou o Banco do Brasil foi o presidente Lula com o escândalo da Visanet. Quem privatizou a Caixa foi o Lula quando permitiu a quebra do sigilo do caseiro Francenildo”.

O senador alertou o presidente que se continuar com esse discurso vai acabar sendo chamado de “pinóquio, cujo nariz não para de crescer”. “O Alckmin não vai privatizar nada, já deixou isso claro. A história de vida do Alckmin mostra que ele não é um governante de privatizações. Com a velocidade das informações, não vamos deixar que essas mentiras se sustentem”, avisou.

O senador tucano comentou ainda sobre a promessa de Alckmin de vender o avião presidencial se eleito, o que foi ironizado pelos petistas. “A compra do Aerolula foi um gesto de vaidade infeliz do Lula. O Alckmin foi correto ao assumir o compromisso de que iria vender. Daqui a dez anos o Aerolula será algo caduco, um investimento ruim”, afirmou.

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