São Paulo - O depoimento do empresário Abel Pereira à Polícia Federal (PF), previsto para ontem, só deve ocorrer na próxima semana. A data e o local ainda não foram definidos. Ele será ouvido sobre a compra de um dossiê pelo PT contra políticos tucanos. Pereira é ligado ao ex-ministro da Saúde e atual prefeito de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB).
O empresário tem negócios em Piracicaba e, segundo os Vedoin disseram em entrevista à revista “IstoÉ”, na ocasião em que Negri foi ministro da Saúde, Pereira atuava como intermediário para liberação de emendas de interesse da máfia dos sanguessugas, que desviava dinheiro público destinado a compras de ambulância.
Na próxima terça-feira, a PF vai ouvir o deputado federal e presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini. Apesar de ter sido convidado a depor na Superintendência da Polícia Federal ontem, Berzoini tem foro privilegiado e optou por prestar depoimento na semana que vem. As investigações apontam indícios de que o presidente licenciado do PT tinha conhecimento da compra, por membros do partido, dos documentos que ligariam tucanos à máfia das ambulâncias.
Sigilos
A Polícia Federal de Mato Grosso já entrou com “pelo menos” 100 pedidos de quebra de sigilo telefônico dos envolvidos no episódio do “dossiêgate”. Trata-se de números telefônicos que surgiram a partir dos depoimentos já tomados no inquérito que investiga o escândalo. A PF pretende averiguar não apenas os depoimentos já prestados mas também os proprietários desses números, em uma tentativa de tentar rastrear a origem do R$ 1,7 milhão apreendido na tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos
Nesta semana, a PF já havia comunicado que pediria à Justiça, nesta semana, a quebra de sigilos de cerca de 500 telefones, que aparecem em ligações trocadas entre os envolvidos no episódio. Segundo a PF, a quebra de sigilo deve abranger o final de agosto até o dia 20 de setembro, data em que veio a público a crise do dossiê.