Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT-PRB-PC do B) à reeleição, não participará do debate com o candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB), da Coligação Por um Brasil Decente (PSDB-PFL), previsto para a próxima terça-feira, na Rede Gazeta, em São Paulo.
A informação foi dada ontem pelo presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia. Lula desistiu do programa, segundo Garcia, por questões de agenda. “O presidente não poderá ir”, afirmou. Entretanto, o compromisso que teria motivado o cancelamento não foi divulgado.
A Rede Gazeta informou que soube pela imprensa da desistência. À noite, a emissora recebeu um comunicado oficial da coordenação da campanha dele. O cancelamento foi anunciado um dia depois de Lula ter admitido, pela primeira vez, que errou ao faltar nos debates no primeiro turno. O mea-culpa foi na estréia da publicidade eleitoral gratuita no segundo turno.
O presidente apontou a “baixaria” promovida pelos adversários como motivo da ausência nas discussões na primeira etapa da disputa. “Quero fazer uma campanha de paz, sem baixaria. Foi por isso que cheguei a evitar comparecer a alguns debates no primeiro turno. Hoje, admito que me equivoquei porque a minha posição foi mal-interpretada e não freou a baixaria dos meus adversários.”
A resistência de Lula em ir aos confrontos na TV foi apontada pela coordenação da campanha, ao lado do caso do dossiê Vedoin, como um dos motivos por ele não ter vencido as eleições no primeiro turno. No debate da Rede Globo três dias antes da eleição, a cadeira vazia do presidente foi exaustivamente explorada pelos adversários.
O primeiro debate a que Lula compareceu nesta eleição foi domingo, na Rede Bandeirantes. Frente a frente com Alckmin, o presidente foi pego de surpresa pelo tom agressivo do adversário e se saiu pior na avaliação dos coordenadores.
Confrontos
Dois debates estão confirmados - além do da Gazeta - até o dia 29. No dia 23, será na TV Record. Segundo a emissora, Lula e Alckmin acertaram presença. O outro é na Rede Globo, dia 27. Um terceiro, no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), na quinta-feira, está em negociação.
A Globo ajuizou uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a fim de obter autorização para que o debate passe o horário limite de meia-noite - o calendário eleitoral prevê o dia 27 como o último dia permitido para debate. A emissora argumenta que o programa terá início por volta das 22h20 e, pelo formato definido, com o tempo para a exposição das propostas de cada candidato e eventuais pedidos de direito de resposta, a previsão de duração é de duas horas e 40 minutos, devendo, portanto, se estender após a meia-noite. O TSE ainda não designou relator para a matéria.
Salários
O coordenador da campanha de Lula também sugeriu ontem que, se reeleito, o presidente não vai conceder aumentos significativos para o funcionalismo público nos próximos quatro anos. Na contramão do que tem pregado o presidente e até do que consta no programa de governo lançado por ele para os próximos quatro anos, Garcia disse que “é evidente que vai ter cortes de gastos” e citou os salários dos servidores como uma das fórmulas para diminuir as despesas públicas.
Sobre redução de impostos, Garcia indicou que, se ocorrer, será pontual. “A carga fiscal brasileira está perfurada por uma série de isenções que estão beneficiando justamente os setores que vão permitir o crescimento da economia”, observou.