O adolescente de 15 anos acusado de ter disparado a bala da arma calibre 32 que atingiu e matou Gabriel Martins Pereira, 19 anos, anteontem em Bauru, já está recolhido em uma das celas do Núcleo de Atendimento Infantil (NAI). Mas, agora, a polícia tem outra preocupação: descobrir quem é o dono da arma. A polícia já sabia o apelido do rapaz. Para colher mais pistas, vai ouvir testemunhas que presenciaram a morte de Gabriel. O caso é investigado pela Delegacia da Infância e Juventude (Diju).
Gabriel morreu na noite de anteontem após ser baleado no pescoço, quando estava na arquibancada da quadra da Escola Municipal de Educação Fundamental Maria Chaparro Costa, no Parque Santa Edwirges. Enquanto garotos jogavam futebol, um rapaz chegou com uma arma de fogo. A arma teria passado de mãos em mãos, segundo relato colhido pelos policiais. Quando um dos adolescentes pegou a arma e iria passá-la para outra pessoa, esta teria disparado e atingido Gabriel, que estava ao seu lado. O adolescente acusado pelo disparo foi apreendido em flagrante.
Outro adolescente de 17 anos, que teria escondido a arma em sua casa após o fato, também foi localizado pela polícia, mas não foi apreendido. No entanto, ele deverá apresentar-se à Vara de Infância e Juventude.
Ontem, o corpo de Gabriel foi velado na Funerária Memorial e sepultado às 16h. Parentes e amigos da vítima estiveram no local. A reportagem tentou conversar com os familiares, mas ninguém quis falar sobre o fato.
Uma garota de 14 anos que estava no velório de Gabriel e disse ser sua namorada há dois meses, contou que ele não fazia parte da roda de adolescentes que manusearam a arma de fogo. “Ele não costumava fazer isso”, diz. Assim como outros adolescentes, Gabriel freqüentava a quadra à noite, que ficava aberta à comunidade. Outra adolescente, que se diz amiga de Gabriel, falou que não é difícil encontrar arma de fogo dentro da escola. “Três dias antes da morte dele (Gabriel), eu vi outro adolescente com arma”, disse.
Questionada sobre qual providência será tomada em relação ao fato, a diretora da escola, Marize Souza Franco Santos, disse que o problema foi notificado à Secretaria Municipal de Educação. “Ainda não sei o que faremos em relação ao caso. Já tentamos deixar a quadra fechada, mas o cadeado era rompido e os adolescentes entravam assim mesmo. Mas, certamente tomaremos alguma providência”, disse a diretora.