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Crianças são ‘cientistas’ por um dia

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 4 min

Para muitos, a palavra ‘ciência’ lembra um laboratório com aparelhos estranhos, fumaça de gelo seco, cientistas com óculos engraçados fazendo experimentos esquisitos. Será mesmo? Os educadores falam o contrário: que ciência está em tudo. Ontem, durante todo o dia, crianças e adolescentes puderam comprovar isso. Os ‘cientistas’ mostraram que realmente, muitos dos ‘experimentos’ são parte do dia-a-dia do ser humano, mas poucos se dão conta disso. Aproximadamente 3 mil crianças visitaram a da Festa de Ciências, na antiga estação ferroviária de Bauru, evento que integra a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

De todas as maneiras, a curiosidade dos jovens foi aguçada. Teve até participação do astronauta bauruense Marcos Pontes, que despertou euforia em todos. Na sua chegada, os fãs mirins gritaram seu nome e o seguiram pelos estandes. Ele distribuiu autógrafos e conversou com os jovens. Respondeu até perguntas sobre o ‘céu’ e o ‘espaço’. “Essa iniciativa é válida porque incentiva o jovem a ficar mais próximo da ciência. Mostra que existe uma carreira possível. Lembro do tempo que era jovem trabalhei na oficina (da ferrovia) em Bauru. Apesar de todas as dificuldades, você consegue fazer se quiser realmente”, disse à imprensa.

Entre as atrações, no estande do Espaço Educação Integrada, os alunos conheceram o garrafone, um objeto similar ao instrumento musical xilofone. O ‘experimento’ pode ser repetido em casa, garante a co-organizadora do evento, Denise Rodrigueiro. “É só colocar diferentes quantidades de água em garrafas, deixando uma vazia e outra cheia para comparação. Ao tocá-las com varetas de madeira, o som sai diferente”, diz. E explica: “Isso acontece porque cada uma delas tem quantidade de ar, assim o som também sai diferente”, conta.

No mesmo espaço, os estudantes do ensino médio desenvolveram um banquinho feito com garrafas pets que pode ser feito em casa. Para “montar” o banco é preciso 16 garrafas de plástico, presas por fita isolante em colunas de 4 x 4.

Quando se é criança, os sonhos parecem ser mais fáceis do alcance. Ser astronauta, físico, biólogo ou médico faz parte do imaginário infantil. Aqueles que têm o sonho de ser piloto de avião ficaram mais próximos da realidade. Alunos do curso de ciências aeronáutica do Instituto Toledo de Ensino (ITE) desenvolveram um simulador de vôo e uma cabine com comandos parecidos com os de um avião de verdade.

Celso Antônio da Silva Gonçalves se divertiu muito com o simulador de vôo. “É quase real”, surpreendeu-se. O estudante do 3.º ano do curso explica: “O simulador tem quase todos os aeroportos do mundo, inclusive o de Bauru. Na cabine, o manche (direção), manetes (dão potência ao motor) e o pedal (freio) funcionam como nos aviões reais”, diz Leandro Cerraipa.

Além do simulador, réplicas de aviões desenvolvidos por Santos Dumont chamaram a atenção de pessoas de todas as idades. O aposentado Joaquim Cândido Vieira se diz um apaixonado por aviação. “Os livros e as réplicas dos aviões são muito bonitas. Valeu a pena”, garante.

Mais do que ciência, os visitantes puderam conhecer mais sobre cultura. Integrantes de um grupo da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru apresentaram espetáculo de dança e teatral retratando o folclore brasileiro. Outros eventos culturais estavam programados para a tarde de ontem.

A ‘Festa de Ciência’ é um evento gratuito promovido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Científico, Núcleo Regional de Bauru.

A ciência foi apresentada aos visitantes em mais de 30 estandes de cerca de 20 faculdades, universidades, escolas, entidades e promotores de divulgação científica de Bauru.

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Flutuando

Um estande que despertou muita atenção dos visitantes foi o de Física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Em um dos experimentos que chamou a atenção do estudante Abner Andrey Alves Moreira, 17 anos, a primeira impressão era de que um pedaço de ímã estava flutuando no ar e não encostava na cerâmica que estava embaixo. “É parecido com o que acontece no trem-bala do Japão”, garante. Segundo o aluno de física Marco Aurélio Euflauzino Maria, o fato do ímã fica ‘no ar’ pode ser explicado. “A cerâmica, quando resfriada, repele (afasta) o ímã, por isso que eles não ficam ‘grudados’”, conta.

Pais e filhos também assistiram juntos à explicação dos experimentos. Um dos que chamaram bastante a atenção do professor de educação física Paulo Paley Filho e a filha, Isadora Tosim Paley, 8 anos, foi a exposição de fetos humanos. “É curioso. Ao mesmo tempo que aprendem sobre ciência, vemos coisas interessantes”, diz o pai que adorou o evento. O estudante de biologia da Universidade do Sagrado Coração (USC) confirmou a curiosidade dos alunos. “Eles querem saber como a vida começa. Por isso, trouxemos fetos em várias fases da gestação”, explica.

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Planos de Pontes

Em visita à ‘Festa da Ciência’, o astronauta bauruense Marcos Pontes revelou que pretende abrir uma instituição social voltada a crianças e adolescentes que tenha como tema a ciência. “A sede será em São Paulo, mas Bauru e outras cidades do Interior também participarão”, garante. A expectativa dele é colocar o projeto em prática no ano que vem.

Para participar do evento, ontem, ele Pontes não poupou esforços. “A organização não conseguiu uma maneira de me trazer de São Paulo até Bauru. Então, vim dirigindo de madrugada. Estou com um pouco de sono, mas vale a pena fazer esse esforço para conversar com as crianças”, garante.

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