Agudos – O setor produtivo brasileiro ainda não reconhece na organização da agricultura familiar elementos do agronegócio, segmento que ganhou grande impulso na última década. “Existe uma cultura no Brasil de que agricultura familiar é coisa de subsistência, de assentado. E vem a idéia de um assentamento miserável e que não se desenvolveu. Não é nada disso e a agricultura familiar também é agronegócio”, sustenta Braz Agostinho Albertini, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp).
O fórum visou a inclusão do trabalhador rural no agronegócio discutindo problemas pontuais mas que se vistos no panorama geral da agricultura familiar fazem com que o produtor desista da atividade agrícola. É consenso entre as autoridades do fórum que, ao desistir do campo, as famílias vêm inchar as regiões urbanas e se deparam com a dificuldade de um meio muito hostil.
Albertini explica que um dos maiores problemas no Estado de São Paulo é a precariedade do trabalho de extensão rural. Um dos temas debatidos foi a falta de estrutura da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) nas diversas regiões do Estado, o que afeta o produtor rural.
A Fetaesp convidou técnicos do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Dracena para expor o projeto de microbacias. Albertini diz que se o pessoal de Dracena foi capaz de fazer um trabalho muito bom, as outras EDRs também podem. “Tem EDR que não fez a décima parte que eles fizeram. A Cati tem culpa também e a necessidade é de todo o Estado. Estamos tentando provocar essa discussão para que outras EDRs façam o que eles (Dracena) estão fazendo”, explica.
Ele fez duras críticas ao atual funcionamento da Coordenadoria. “A CATI está sucateada. Não se contrata pessoas para reforçar o quadro de material humano. Agora, depois de 15 anos, parece que vai sair um concurso. Depois que aposentaram”, avalia. Albertini diz que a municipalização da extensão rural, com transferência de R$ 13 mil por ano do Estado para as prefeituras só tem aprofundado os problemas para o pequeno e médio agricultor. “O agrônomo pega o serviço como um bico (assistência ao produtor). E fica sob o comando do prefeito, quando na verdade deveria obedecer as ordens da Cati. Fica prejudicado o salário do agrônomo e qualidade dos agrônomos que vão trabalhar”, critica.
Na opinião de Albertini o processo “desanda”, porque o produtor não consegue classificar de forma correta seu produto e, não sabe vender de forma lucrativa. “Acaba indo para a cidade e ocorre todas as complicações que já são conhecidas”, explica.
Os representantes também mantiveram contato com técnicos do Banco do Brasil para discutir como evitar a inadimplência dos produtores rurais com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do governo federal, para incentivar o pequeno produtor, mas que muitas vezes vira pesadelo para o financiado que acaba se individando. Albertini salienta que é preciso uma melhora acentuada na orientação ao produtor. “A Cati, que dá a carta de aptidão ao produtor, deveria também acompanhar. Para não dar financiamento a quem não pode pagar”, avalia.
No Estado de São Paulo existem 210 mil famílias de pequenos produtores. Este contigente de trabalhadores foi representado ontem por 120 pessoas que debateram os problemas no Instituto Técnico e Educacional para Trabalhadores Rurais (Itetresp) em Agudos.