Brasília - A oposição cobrou ontem do Palácio do Planalto explicações sobre denúncias de que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sócio da empresa Gamecorp, estaria atuando no governo para defender interesses da Telemar, empresa de telecomunicações, e de uma produtora de vídeos.
Reportagem da revista “Veja” diz que Fábio, o Lulinha, foi “acionado para defender os interesses da Telemar junto ao governo” e teria ligações com o lobista Alexandre Paes dos Santos, que foi alvo de investigações da Polícia Federal.
A proximidade do poder justificaria, segundo a revista, o investimento de R$ 15 milhões que a Telemar fez na Gamecorp, empresa cuja sociedade Fábio divide com Kallil Bitar. Para o coordenador da campanha do tucano Geraldo Alckmin, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), tanto o presidente como seu filho devem explicações. “Essa questão do filho do presidente tem de ser esclarecida. O presidente e seu filho deviam dar um amplo esclarecimento ao País. Não estou prejulgando, mas não compreendo a omissão.” Já o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) ironizou. “Esse rapaz é um gênio, cuja genialidade só se manifestou após ele ter um pai na Presidência.”
A Folha de S.Paulo procurou a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, mas, até agora, não obteve resposta. Conforme a revista, os sócios Fábio e Kallil se reuniram em Brasília com o secretário de Direito Econômica, Daniel Goldberg, em três ocasiões diferentes, para “sondar que posição a Secretaria de Direito Econômico (SDE) tomaria caso a Telemar comprasse a concorrente Brasil Telecom - fusão que a lei proíbe ainda hoje”.