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Lula chama acusações de ‘futricas’ e faz desafio

Por Mari Tortato | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Curitiba - Um dia após a divulgação de que seu secretário Gilberto Carvalho ligou para um petista envolvido no caso do dossiê, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou ontem a imprensa e a oposição a apresentarem novas “acusações” contra ele e integrantes de seu governo. Ele classificou as revelações de “futricas” e disse que elas não atrapalharão sua reeleição.

“Eu não preciso ofender nenhum adversário para ganhar a eleição. Se quiserem me ofender, me ofendam. Se quiserem me acusar, me acusem. Eu vou ter o bom comportamento que um presidente da República deve ter: altivo, sereno e sabedor que o ódio que eles têm por mim não é por mim. Eles sabem que não roubo e não roubei, o ódio deles é (pelo fato de) pela primeira vez o povo está podendo levantar a cabeça.”

No discurso que fechou o comício no final da manhã no calçadão do centro de Curitiba, Lula pediu a comparação dos dois projetos presidenciais, citou ações de seu governo para a população mais pobre e disse que era com os avanços que a imprensa deveria se ocupar. “A imprensa brasileira poderia dar essa contribuição aos leitores dos jornais. Porque não é possível a gente viver a vida inteira subordinada à trica e à futrica. Há ladrão se anunciando inocente, e há pessoas sendo expostas todo dia nas páginas dos jornais. E na hora em que as pessoas são absolvidas, ninguém pede desculpas neste país”, afirmou. Ainda segundo ele, “a palavra desculpa saiu do dicionário. É só acusação, acusação e acusação”. Lula então se dirigiu ao público e disse que, durante os quase quatro anos em que esteve no governo, “nunca me viram falar mal de um vereador, de um adversário qualquer”.

Apesar de não deixar clara a razão de sua irritação, o presidente reagia às notícias sobre seu filho e sobre o relatório parcial sobre a compra do dossiê contra tucanos que a Polícia Federal entregou à Justiça. Ele contém a informação de que o articulador da compra Jorge Lorenzetti recebeu ligação de Gilberto Carvalho, secretário particular do presidente, e que voltou a falar com ele num segundo telefonema, no dia em que a PF frustrou a operação e prendeu os primeiros envolvidos, no hotel Ibis, em São Paulo.

O relatório também aponta que o ex-ministro José Dirceu ligou para Lorenzetti dias antes de surgir o dossiê. Na edição deste final de semana, a revista “Veja” traz reportagem sobre a rápida ascensão nos negócios de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, depois de fechar contrato milionário de prestação de serviços à Telemar. Lula pediu votos para o governador licenciado do Paraná, Roberto Requião (PMDB), na disputa estadual, mas Requião não apareceu no palanque. Apenas o vice da chapa, Orlando Pessuti (PMDB), participou do comício.

Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Rousseff (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Celso Amorim (Relações Exteriores), o acompanharam. Incidente Antes de Lula chegar, os jornalistas tiveram de deixar o palanque reservado à imprensa, em frente ao palanque principal, por ameaça de desabamento.

A estrutura de aço que o sustentava cedeu uns 30 centímetros em um dos lados. Cerca de 40 profissionais, a maior parte carregando equipamentos de imagem, estavam sobre a estrutura, na hora do problema. A segurança do evento isolou o espaço e iniciou um inventário do problema ainda durante o comício.

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