São Paulo - A Justiça mandou arquivar o inquérito que apurava a responsabilidade do delegado Edmilson Bruno pelo vazamento de fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal (PF) no escândalo do dossiê -negociação articulada por petistas para a compra de documentos contra candidatos tucanos. Para o Ministério Público Federal de São Paulo, que defendeu o arquivamento do inquérito, não houve crime na atitude do delegado - ao contrário, a divulgação das imagens do dinheiro respeitou o interesse público à informação.
A Justiça acolheu o entendimento da Procuradoria. O inquérito criminal havia sido instaurado pela PF, que responsabilizou Bruno pelo crime de violação de sigilo profissional. O comando da polícia e o Ministério da Justiça haviam proibido a divulgação das fotos para não prejudicar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Bruno vazou um CD com fotos do R$ 1,7 milhão apreendido dois dias antes do primeiro turno eleitoral.
Para o Ministério Público Federal, as fotos do dinheiro apreendido somente revelam que o dinheiro existe, o que não constitui fato sigiloso. O órgão informou ainda que não surgiu nenhuma prova de que o delegado Bruno tenha recebido vantagem indevida pela divulgação das fotos.
Transparência
Ao defender o fim da investigação aberta contra o delegado Bruno, a Procuradoria da República argumentou que a conduta padrão da própria Polícia Federal sempre foi a de divulgar amplamente as operações realizadas e as prisões efetuadas, inclusive no caso do dossiê. O Ministério Público Federal sustentou que a aplicação do sigilo decorre da proteção à intimidade, do interesse público, da segurança da sociedade e do Estado e do interesse social.
Após afirmar que a divulgação das fotos não fere nenhuma das alternativas acima, a Procuradoria disse que “qualquer outra limitação ao direito de informação somente pode ocorrer durante estado de sítio”. O Ministério Público Federal investiga ainda se o comando da PF agiu para abafar a investigação do caso do dossiê.