Kobe - A Seleção Brasileira Feminina de Vôlei treinou ontem pela primeira vez na Green Arena Kobe, local dos jogos do Grupo C no Campeonato Mundial de 2006. Foram duas horas de trabalho com bola pela manhã, com o foco voltado para o confronto com Porto Rico, que seria disputado na madrugada de hoje.
O Cazaquistão, segundo adversário do Brasil, é totalmente desconhecido. Por isso, logo após a estréia, estava prevista uma reunião entre a comissão técnica e as jogadoras brasileiras para analisarem o vídeo com atuações do Cazaquistão. A partida, válida pelo Grupo C, está marcada para as 2h da madrugada de amanhã e terá transmissão ao vivo.
Ainda nessa chave serão disputados dois jogos: Camarões terá pela frente Porto Rico, às 4h, e Holanda enfrentará os Estados Unidos.
Brasil e Cazaquistão nunca se enfrentaram. “Vamos ver o vídeo, passar as orientações necessárias para o grupo e treinar especificamente para esse jogo. Imagino que essa equipe deva ter características parecidas com a do sistema russo, com bolas altas”, diz o técnico brasileiro José Roberto Guimarães.
Conhecendo ou não o adversário, a ponteira Jaqueline não quer saber. O discurso é de que o Brasil precisa estar atento o tempo todo. “Temos de pensar em entrar para ganhar, sabendo que todos os jogos serão difíceis. O Zé certamente já está estudando o Cazaquistão e vai nos orientar. Mas, de qualquer forma, seja contra quem for, a gente tem que jogar com confiança para conseguirmos chegar às finais”, comenta.
E a oposto Sheilla emenda. “Jogar contra adversários desconhecidos é mais complicado, mas estamos preparadas para essas situações. Vamos ver o vídeo, estudar e nos preparar para enfrentá-las”, encerra a mineira, eleita melhor jogadora do Grand Prix 2006, no qual o Brasil faturou o hexacampeonato.
Espião
Há quase dois dias, um integrante da comissão técnica se desligou da equipe. Enquanto toda a delegação brasileira seguiu para Kobe, o campeão olímpico em Barcelona/1992 Jorge Edson partiu para Sapporo. A missão do ex-jogador foi passada pelo técnico Zé Roberto espionar o chamado grupo da morte, no qual estão China, República Dominicana, México, Rússia, Alemanha e Azerbaijão.
A dobradinha entre técnico e ex-atleta é antiga. Juntos, conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1992. Mas antes de sair para espiar as adversárias, Jorge Edson ajudou Zé Roberto a treinar o bloqueio.
“É muito bom poder contar com o Jorge, agora do outro lado, nessa situação. Ele vem nos ajudando na preparação da equipe e procurei dar a ele um fundamento para que treinasse algumas vezes a Seleção Brasileira. Ele sempre foi um especialista no bloqueio. Sempre foi o seu melhor fundamento. Então, ele realmente nos ajudou no posicionamento do nosso bloqueio e passou muito de sua experiência como jogador”, conta Zé Roberto.