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Meio ambiente: exemplo da Califórnia


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Em campanha para a reeleição ao governo da Califórnia, Arnold Schwarzenegger decidiu enfrentar a resistência da Casa Branca em respeitar os acordos ambientais e conseguiu aprovar um projeto de lei que pretende reduzir a emissão de gás carbônico em seu Estado em até 25% nos próximos 20 anos. Embora possua condutas reprováveis em relação a outros temas, entre eles a imigração, a iniciativa do ex-astro de Hollywood pode servir como exemplo para muitos governantes, que insistem em ignorar os impactos da ação destrutiva do homem no clima do planeta. Se o interesse não for meramente eleitoral, Schwarzenegger tem tudo para assumir uma posição de destaque na luta pelas causas ambientais no país que produz um quarto da poluição no mundo.

A lei aprovada na Califórnia impõe limites às emissões de gás carbônico em veículos, fábricas, usinas de eletricidade e refinarias, além de estimular o desenvolvimento de energia renovável e a produção de biocombustíveis. O governador Schwarzenegger também enviou uma carta ao presidente George W. Bush, seu colega no Partido Republicano, exigindo que a questão ambiental seja encarada com seriedade e urgência. Sua preocupação tem encontrado apoio em diversos setores da sociedade, principalmente depois da onda de calor registrada em território norte-americano nos últimos três anos, e da eminente preocupação com desastres naturais como o furacão Katrina, que arrasou a cidade de New Jersey em meados de 2005.

O comportamento norte-americano poderia ser seguido por outros políticos do mundo. No Brasil, a ação dos governantes em relação ao problema ainda é tímida. Prova disso é que o assunto apareceu timidamente na campanha eleitoral, fosse a discussão pautada por interesses municipais, estaduais ou federais. A agenda foi pautada pela diminuição do déficit público, corrupção, crescimento da economia e as promessas para a redução das taxas de juros. Muito pouco se falou em projetos para recuperação de áreas degradadas, destinação de resíduos sólidos e líquidos, uso inteligente da água, reflorestamento, reciclagem, entre outras questões que urgem por soluções imediatas.

Talvez isso tenha ocorrido porque o eleitor, sobretudo dos grandes centros, ainda não se deu conta da importância desse debate. Com exceção de casos isolados, e de algumas alterações no clima, o País não tem sofrido com grandes catástrofes naturais. Ainda. Em pouco tempo, o reflexo de queimadas na Amazônia e do descaso dos governos começará a se refletir em vários setores da sociedade, inclusive tornando-se uma barreira para a obtenção de investimentos internacionais voltados aos negócios gerados em nosso território. Muitas empresas européias e norte-americanas já se negam a comprar mercadorias de produtores que não respeitam o meio ambiente.

Nos últimos quatro anos, o governo Lula conseguiu colocar o Brasil no noticiário internacional como exemplo positivo no que se refere à utilização de biocombustíveis, como o álcool. Mas nossa ação não deve se restringir a isso. Em seu segundo mandato, o presidente reeleito deve chamar todos os setores da sociedade para discutir o problema. Ninguém deve se eximir de responsabilidades e não há como apontar vilões em meio à infinidade de pendências que devem ser solucionadas. Se isso não ocorrer, teremos de depender do surgimento de um Arnold Schwarzenegger tupiniquim que possa dar visibilidade ao debate. E sem a ajuda de efeitos especiais.

O autor, Sebastião Almeida, é deputado estadual pelo PT, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água e membro da comissão de meio ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo. E-mail: gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br

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