Nacional

Processo acusa pilotos de negligência

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O primeiro processo indenizatório sobre a queda do Boeing da Gol, apresentado à Justiça dos Estados Unidos anteontem, acusa a empresa de táxi aéreo daquele país ExcelAire, Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, respectivamente proprietária, piloto e co-piloto do Legacy envolvido no acidente de “negligência”.

O Boeing caiu em uma região de mata fechada de Mato Grosso no último dia 29 de setembro, depois de bater no Legacy, no ar. Os 154 ocupantes do avião comercial morreram. O Legacy conseguiu pousar e as sete pessoas que estavam a bordo saíram ilesas.

O documento ao qual a reportagem teve acesso deu início ao pedido de indenização, no Exterior, feito por Suellen Lleras, mulher do publicitário Mário Lleras e mãe de Daniel Lleras, ambos mortos no acidente. Ele é assinado pelo advogado Manuel von Ribbeck, o primeiro a ser contratado por familiares dos mortos para representá-los nos EUA.

Na peça, o advogado afirma que os tripulantes do avião da ExcelAire “transgrediram seu dever de adotar as devidas precauções e agiram de forma descuidada e negligente” na ocasião em que o acidente ocorreu. “No momento da colisão, os tripulantes do Legacy da ExcelAire não estavam na altitude determinada no plano de vôo. Ademais, não conseguiram operar o TCAS (sistema anti-colisão) adequadamente, e não conseguiram manter a comunicação necessária com o controle de tráfego aéreo brasileiro.”

Em nota divulgada ontem, a ExcelAire afirmou acreditar que o processo é “prematuro”, pois as investigações ainda estão em andamento. No documento, a empresa afirma, por meio do advogado Robert Torricella, que “face às novas confirmações de que a torre de controle autorizou o jato executivo da ExcelAire a voar até Manaus a 37 mil pés, as acusações de que os pilotos voavam na altitude errada não procedem”.

Em sua peça, o representante das vítimas, Ribbeck, também acusa a Honeywell, fabricante do sistema anti-colisão usado nas duas aeronaves, de negligência. “No momento da colisão, o TCAS (sistema anti-colisão) da aeronave da ExcelAire não funcionou corretamente. Se tivesse funcionado, a colisão não teria ocorrido.”

Perícia

O engenheiro mecânico Max Vermij, especialista em análise de acidentes, foi contratado por parentes de algumas das 154 pessoas mortas na queda do Boeing da Gol para reconstituir o acidente. O resultado deverá ser usado pelo advogado Manuel von Ribbeck, para pleitear o pagamento de indenizações.

O especialista chegou a Manaus (AM) na noite de domingo para encontrar-se com Ribbeck e alguns de seus clientes. “Espero contar com a colaboração das autoridades brasileiras para ter acesso aos registros e às caixas-pretas das duas aeronaves e reconstituir o que ocorreu. Minha experiência diz que os brasileiros são bastante prestativos e que não terei problemas”, afirmou o engenheiro ontem, em entrevista à reportagem. O otimismo do engenheiro, no entanto, parece estar com os dias contados.

O delegado da Polícia Federal (PF) Renato Sayão precisou recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar obrigar a Aeronáutica a dar-lhe acesso aos documentos entregues à comissão que investiga o caso, bem como às gravações das caixas-pretas. “Esse inquérito realmente está difícil de ir para a frente porque nós precisamos de informações que estão quase todas com a Aeronáutica. Sem a caixa preta, as investigações não avançam”, desabafou à época.

Há duas semanas, Sayão foi a Brasília (DF) para ouvir os controladores de tráfego aéreo que trabalhavam no momento do acidente, mas eles faltaram. O grupo afirmou estar sob tratamento devido a estresse pós-traumático e apresentou atestados assinados por psiquiatra da Força Aérea Brasileira (FAB) para justificar a ausência.

Comentários

Comentários