Regional

MST faz primeira invasão após eleição

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Garça - Um grupo de integrantes do Movimento Sem Terra (MST) invadiu ontem uma propriedade localizada no município de Garça (70 quilômetros de Bauru). A invasão foi iniciada por volta das 6h por 80 famílias que estavam acampadas na estrada, a um quilômetro da área. Trata-se da primeira invasão na região após a eleição que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo apurou a reportagem do JC, as famílias formam o grupo denominado Margarida Maria Alves, batizado em homenagem a uma integrante do movimento, que teria morrido em confronto. Os sem-terra vieram em 2004 do município de Presidente Alves e acamparam na região. Neste período, a propriedade já havia sido invadida por outros integrantes do MST. Entre os invasores, há cerca de 50 crianças, homens, mulheres e idosos. A Polícia Militar (PM) de Garça esteve ontem pela manhã na fazenda, mas foi barrada pelos invasores do lado de fora. Os policiais militares obtiveram algumas informações e foram embora. O clima na fazenda era de tranqüilidade.

Disputa

A área seria alvo de disputas entre duas pessoas que se dizem proprietárias. Agora, o MST também reivindica a posse da área de 286 hectáres. O advogado Pedro Camacho foi à Delegacia de Polícia ontem e registrou um Boletim de Ocorrência (BO), em que denuncia a invasão (esbulho possessório) e furto de arame da fazenda. Entretanto, entra na história Luiz Carlos Volponi, que também se intitula proprietário da terra. De acordo com Volponi, ele teria arrendado a fazenda para Camacho que não aceita sair da propriedade. Volponi garante que a fazenda é registrada com o nome de Lutétia. “Desafio ele (Camacho) a trazer algum registro que tenha o nome Boi Bravo”, ameaçou Volponi. A novidade do imbróglio envolvendo a terra vem do MST. Uma mulher, que age como líder dos trabalhadores rurais sem-terra, afirma que, há um ano, a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) teria realizado uma vistoria na fazenda e que teria declarado a área como improdutiva. Com um documento em mãos, ela garante que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria, inclusive, depositado R$ 1.218.057,47, em juízo, relativos ao valor de desapropriação da área da fazenda.

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