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Lula garante que ‘essência’ da economia será a mesma

Por Eduardo Scolese | AE
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - No momento em que setores do PT e da base aliada do governo sugerem mudanças e ajustes nos rumos da política econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a “essência” do atual modelo será mantida em seu segundo mandato. Prometeu “seriedade” e “responsabilidade” e, sem antecipar detalhes, falou na possibilidade de adotar uma política de desoneração. Em rápida entrevista ontem no Palácio do Planalto, o presidente rotulou de “batido” o discurso sobre cortes de gastos e declarou que o modelo econômico, que afirma ter sido um sucesso no primeiro mandato, poderá agora ser “aperfeiçoado” e “aprimorado”. Lula e os ministros que integram a equipe econômica do governo preparam um pacote de medidas para acelerar o crescimento do país, principalmente no campo da infra-estrutura, o que deve ser anunciado em semanas. “Não precisa mudar a política econômica na sua essência, ela tem de ser aperfeiçoada, aprimorada. Porque, eu vou repetir, nós não abriremos mão da responsabilidade econômica e da responsabilidade fiscal. Até porque, se nós agirmos de forma irresponsável, aquilo que a gente pensa que vai ser um sucesso pode ser um fracasso”, disse. Ontem pela manhã, Lula recebeu a visita do economista Luciano Coutinho (Unicamp), que sugeriu ao presidente medidas de desoneração em políticas de investimentos. Horas depois, na entrevista, Lula adotou uma linha parecida: “Não estamos discutindo apenas no âmbito da infra-estrutura, mas também no âmbito da política de desoneração e da política fiscal. Ou seja, precisamos destravar o país para que ele cresça”. Notícias do início desta semana sobre o recuo da produção industrial deixaram o presidente preocupado quanto ao crescimento do PIB. Publicamente, diz não estar preocupado, mas o tema do crescimento tem dividido seu tempo em meio a negociações políticas para a formação do primeiro escalão de seu segundo mandato.

“Permitam que eu tenha ao menos o tempo de produzir uma nova proposta e apresentá-la a vocês. E ela será apresentada logo.” Rejeitando diretamente as idéias de mudanças nos rumos da economia, Lula pediu “seriedade” e atacou as “mágicas”. “Quem tem a minha idade já acordou muitas vezes com mágicas na economia que não deram certo depois. Nós vamos crescer com responsabilidade, vamos continuar controlando a inflação, com responsabilidade fiscal. É essa seriedade que vai nos dar condições de ter um ciclo de crescimento.” Sobre eventuais cortes de gastos, mais uma vez descartou a idéia: “Os cortes de gastos já fazem parte de um discurso já meio batido. É muito meio batido, porque todo mundo fala em corte de gasto. Acontece que tem pouco de onde cortar”.

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