São Paulo - Após três dias de atrasos intensos, a situação nos aeroportos melhorou um pouco ontem. Dos 1355 vôos programados no País até as 19h, 481 registraram atrasos. A média de 35,5% é menor que a de anteontem, quando houve atrasos de mais de 15 minutos em 42% dos vôos. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não se manifestou sobre as causas dos atrasos.
A Aeronáutica tem reiterado que os atrasos dos últimos quatro dias ocorreram por excesso de fluxo aéreo e falta de pessoal. Na véspera do feriado da Proclamação da República, todos os doze aeroportos contatados ontem pela "Folha de S.Paulo" registraram atrasos em vôos superiores aos considerados normais pela Infraero (estatal que administra os aeroportos). Em quatro ocorreram também cancelamentos: Confins (MG), Vitória, Porto Alegre e Cumbica (SP).
Nos aeroportos da Grande São Paulo a situação era mais tranqüila ontem que no dia anterior. Os atrasos, em geral, eram inferiores a duas horas, e o clima entre os passageiros era de menos tensão. “Todo mundo já sabia que os vôos estão atrasando, já nos preparamos para esperar”, disse o professor Ricardo Ishak, 52 anos, que viajava com a mulher. Até as 18h, Cumbica havia registrado 46 vôos atrasados e dois cancelamentos, com atrasos entre 30 minutos e uma hora e meia.
No mesmo período, Congonhas computava 30 atrasos de até duas horas. No aeroporto de Confins (próximo a Belo Horizonte), foram registrados nove cancelamentos e 61 atrasos. A média no aeroporto mineiro foi de 30 minutos. Um vôo chegou a atrasar quatro horas. Em Porto Alegre, um vôo procedente de Recife, com escala em Guarulhos, previsto para pousar às 5h, chegou às 8h30. Ao todo, foram 19 atrasos registrados na capital gaúcha.
Em Manaus, nove vôos apresentaram atrasos. Em Curitiba, foram 12; em Salvador, dois. Nos aeroportos de Recife, Vitória, Campo Grande e Campinas (SP), a média de atrasos ficou em torno de uma hora. Em nota, a Confederação Nacional da Indústria se queixou da situação e alertou para sérias repercussões para a atividade econômica desde o transporte de mercadorias até o setor de turismo. Também pede providências do governo para restabelecer a normalidade.
Falta de controladores
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, disse anteontem acreditar que os atrasos deverão persistir enquanto o número de controladores de tráfego de Brasília não for suficiente. No mesmo dia, o setor de Comunicação da Aeronáutica havia negado o desfalque e informado que todos os consoles operavam normalmente, apesar da série de atrasos. O setor, já desfalcado com o afastamento de controladores após a queda do Boeing da Gol, no dia 29 de setembro, ficou sem outros dois profissionais no último sábado - um teve um problema familiar e outro, quebrou a perna, de acordo com Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA).