No Japão deu certo. Porque não no Brasil, mais especificamente em Bauru? O tenente-coronel Pedro Batista Lamoso assumiu ontem o comando do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) apostando na reformulação de um programa implantado em 2003 na cidade: o Personalizando a Emergência. De origem oriental, o programa tem objetivo de dar mais segurança à população e diminuir a criminalidade. Por isso, a proposta é que os policiais visitem os bauruenses em suas casas.
A polícia acredita que aproximando as relações com os moradores dos bairros ficará mais fácil solucionar os crimes. “Se um morador percebe que algo estranho está acontecendo na casa do vizinho, por exemplo, fica mais à vontade para chamar a polícia”, exemplifica Lamoso.
Como a PM já tem Bauru dividida em regiões desde a implantação das bases comunitárias, com um tenente no comando de cada área, o sistema de visitas está fácil de ser viabilizado, na avaliação de Lamoso. “A área de casa base seria dividida em sub-regiões. Cada sub-região fica a cargo de um sargento, que passa a tomar conta daquele território e ser reconhecido como minichefe da polícia”, explica.
A necessidade de apostar em um programa para aproximar a população da polícia foi verificado através de uma pesquisa feita pelo Data-ITE. Em Bauru, cerca de 65% da população ainda não tiveram contato com a polícia, lembra Lamoso. Na verdade, o Personalizando a Emergência já foi iniciado, mas agora foi reformulado e deverá ser retomado no início do ano que vem.
Primeiro, os aproximadamente 300 policiais militares que atuam nas bases comunitárias serão treinados, o que está previsto para o início do ano de 2007. O treinamento será através de rodízio de profissionais, para não prejudicar o atendimento à população. Atualmente, Bauru possui oito bases comunitárias distribuídas em três Companhias de Polícia Militar.
“Entre tantas coisas, o policial irá aprender a abordar o munícipe em sua casa. Assim, a população ficará mais à vontade para procurar a polícia em caso de ajuda ou de dar uma informação importante”, explica o tenente-coronel. Cada policial fará cerca de 300 visitas por ano nos bairros compreendidos pela base em que trabalha. Por outro lado, os moradores também podem enviar pedidos para que os policiais façam uma visita à sua casa.
O relançamento do programa terá até campanha publicitária, com colaboração da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) . “A mídia vai ajudar as pessoas a saber que a polícia pretende aproximar-se cada vez mais da população”, explica Lamoso. Ele afirma que não haverá custo extra para o Estado, apenas adaptação à metodologia.
O trabalho de conhecer melhor os bauruenses vai além. A Polícia Militar tem intenção de cada vez mais informatizar as informações existentes sobre cada bairro e, mais especificamente, cada residência. “A idéia é chegarmos ao ponto de reconhecer o morador assim que ele ligar para o 190. No futuro, vamos cadastrar as famílias e moradores das casas, por exemplo”, garante Lamoso.
____________________
Contato com a população
Uma pesquisa realizada pelo Data-ITE entre junho e julho deste ano com moradores de Bauru teve resultados surpreendentes. Cerca de 65% da população com idade superior a 16 anos consultada, nunca teve algum tipo de contato com a polícia, nem mesmo já conversou com policiais militares. Dos demais 35%, metade deles – cerca de 17,5% já acionou pelo menos uma vez a polícia através do telefone 190. Sendo assim, só o restante – 17,5% - já tiveram outro tipo de contato com policiais, como por exemplo, uma conversa.
Para chegar ao resultado, foram entrevistadas 300 pessoas de diversos bairros da cidade. Elas representaram os 247 mil habitantes maiores de 16 anos.
____________________
Queda nos homicídios
O ex-comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior ( 4.º BPMI) Marco Antônio Alves Miguel ficou apenas sete meses em Bauru e deixou ontem o cargo que foi ocupado pelo tenente-coronel Pedro Batista Lamoso. Ressaltou, em seu discurso ontem à imprensa, a diminuição da criminalidade em Bauru, inclusive homicídios, nos últimos meses e nos últimos cinco anos.
De acordo com os dados da Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, entre outubro de 2005 e 2006, o número de homicídios diminuiu em 25%. A queda dos roubos de veículos foi mais expressivos ainda, diminuiu em 30%. Furtos (25%), roubos (15%) e furtos de veículos (17%) também tiveram queda neste período.
“Os principais crimes de Bauru são os mesmos que a ONU (Organização das Nações Unidas) faz com que todas as organizações policiais observem. Principalmente homicídio, roubo, roubo de veículos, entre outros. No nosso planejamento do 4.º Batalhão, estamos colhendo os frutos do trabalho que começou em 2001”, diz Marco Antônio. Ele vai comandar o 9.º BPMI, em Marília.