Bairros

Condição social interfere nos resultados

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Diversas causas podem explicar a enorme disparidade nos resultados obtidos pelas escolas municipais de ensino fundamental (Emefs) de Bauru na Prova Brasil. Mas se as razões pudessem ser enumeradas por ordem de grandeza, certamente a condição social dos alunos figuraria entre as de maior destaque.

No caso da Emef “Dirce Boemer Guedes de Azevedo”, por exemplo, a questão é mais que evidente. Localizada num dos principais bolsões de pobreza da cidade - o Parque Ferradura Mirim -, a instituição registrou a pior média entre as escolas bauruenses que participaram da avaliação (157,63, em língua portuguesa, e 163,63, em matemática).

Para quem conhece a realidade experimentada diariamente pelas crianças do bairro, o desempenho não é nada de espantoso. Ana Maria Victal, 58 anos, é diretora da instituição e considera aceitáveis as notas obtidas pelos estudantes. “Se levarmos em conta as condições existentes aqui no ano passado, esses resultados podem ser considerados bons.”

Ela se refere ao fato de que, em 2005, o local ainda se encontrava em obras e por isso os alunos eram obrigados a usar em salas cedidas por outras instituições de ensino da região. Segundo ela, em decorrência do problema, era comum que os estudantes faltassem às aulas. “Mesmo agora, com a escola finalmente pronta, o índice ainda continua preocupante”, diz ela.

Fixar o alunos na escola, por sinal, é um problema que se manifesta de diversas maneiras na “Dirce Boemer”. “Acontece mais ou menos dessa forma: um dia a criança está aqui, de repente o pai arruma emprego em outro lugar e, em conseqüência disso, ela tem que trocar de escola; daí não chega passar um mês sequer, o aluno já está de volta, antes mesmo que os papéis da primeira transferência pudessem ficar prontos”, explica Thaís Tezani, coordenadora pedagógica da instituição.

A situação descrita por ela é reflexo da falta de estrutura que atinge grande parcela das famílias de bairros como o Ferradura Mirim. Muitos alunos da “Dirce Boemer” , por exemplos, são criados por pessoas que não foram sequer alfabetizadas. Essa carência, aliás, acabou colocando os professores da escola numa espécie de “saia-justa”.

“Foi por causa das lições de casa. Por terem pouca escolaridade, os pais nem sempre conseguiam ajudar os filhos nas tarefas. Por esse motivo, alguns ficavam zangados e vinham até a gente para reclamar”, conta Victal. A solução encontrada pelo problema foi, por enquanto, limitar ao máximo a quantidade de atividades a serem feitas fora da escola.

Por inusitada que a queixa possa parecer, ela possui um lado alentador, já que mostra que os moradores do bairro estão preocupados com a vida educacional das crianças que freqüentam a Emef. Mesmo assim, alguns casos chamam a atenção. “No começo deste ano, recebemos crianças de 9 anos que jamais haviam sido matriculadas numa escola”, afirma Tezani.

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