Rafael (nome fictício) pode ser considerado um verdadeiro fenômeno da educação brasileira. Não por que seja um exemplo de dedicação e boas notas, mas sim pelo contrário: cursando a 6.a série aos 12 anos, ele é aquele tipo de situação que ninguém consegue (ou se tenta) entender.
Quem conversa com Rafael vê cair por terra todos os sonhos e ilusões envolvendo o ensino no País. A apatia do garoto ilustra uma situação que além de não apresentar melhoras substanciais, faz questão de piorar mais e mais a cada dia que passa.
Ele mal sabe ler, e vem sendo retido ano após ano na escola. Um dos motivos é número excessivo de faltas. Segundo funcionários, é comum ele não comparecer às aulas. Franzino, Rafael também é um garoto tímido ao extremo. Dialoga quase que exclusivamente por meio frases minúsculas, a maioria delas do tipo “não”, “nunca” e “sei lá”.
Não se interessa pelas atividades em sala de aula, é desobediente e passa boa parte do tempo suspenso por indisciplina. Desatento, apresenta um quadro crônico de sonolência. De acordo com uma funcionária da escola, Rafael trocou o dia pela noite. Ele não sabe (ou não quer) explicar o motivo pelo qual passa madrugadas sem dormir.
“Fico vendo filmes”, diz, de maneira um tanto evasiva, sem fitar o interlocutor. O certo é que, quando não está bagunçando, Rafael está dormindo. Adultos que poderiam “acordar” o garoto de seu destino sonolento encontram-se em falta no momento.
Abandonado pelos pais, o menino vem sendo criado por uma tia junto de outros cinco irmãos.