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Aumento do ônibus põe estudantes em pé de guerra em São Paulo

Por Laura Capriglione | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Às 19h, a passeata com 500 jovens contrários ao aumento das tarifas de ônibus -de R$ 2,00 para R$ 2,30 - entrou correndo no terminal de ônibus do parque Dom Pedro, no centro de São Paulo, ao som de bateria ritmada, e gritando: “Pula a catraca, pula a catraca”.

Poucos segundos, e o ônibus amarelo do Consórcio Plus com destino à Vila Mara, em São Miguel Paulista, na zona leste, teve sua porta de trás arrombada. Quem estava na fila aguardando a vez de entrar pela porta da frente no veículo virou-se para trás e entrou por onde é a saída - sem ter de passar pela catraca.

“Por uma vida sem catracas”, dizia uma das faixas carregadas. Outros oito ônibus seriam arrombados na seqüência - “Passagem gratuita para quem quiser”, gritavam os manifestantes dirigindo-se às filas. “Estamos dando um presente aos usuários de ônibus”, dizia o estudante Guaxinim, uma das lideranças do movimento, justificando o arrombamento das portas traseiras. Os manifestantes queriam percorrer todo o terminal, explicando sua ação. Para terem tempo para essa “conversa com o povo”, fecharam o terminal com 20 jovens que, deitados no chão, impediam o trânsito.

Cinco minutos depois, e a Polícia Militar (PM) chegou com 50 homens e bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e espingardas de bala de borracha. “Que sacanagem, que sacanagem, é um roubo o preço da passagem”, tentou-se gritar, enquanto alguns ensaiavam a resistência. Pedras, paus, bombinhas de 20 e de 50 (dessas, de festa junina), foram arremessados contra os policiais. “Sou estudante, tenho coragem, contra o aumento da passagem”, dizia a palavra de ordem. O soldado Santiago sangrava no rosto e no braço - pedrada.

O tenente Luciano Miguel apresentava uma equimose na perna direita - idem. Do lado dos manifestantes, o quartanista da Escola de Sociologia e Política Cristian Alejandro Cataldo Santander, 26 anos, levou três tiros de balas de borracha, golpes de cassetete nas costas, três chutes na cabeça e teve o braço quebrado pelos policiais ao ser preso com outro jovem, Rugero Santi, estudante de biologia da Universidade de São Paulo. Anteontem à noite, Santander foi atendido no Hospital Vergueiro.

Floripa é aqui

As lideranças da frente que dirige a luta contra o aumento das tarifas em São Paulo não escondem: sua tática de mobilização urbana foi copiada daquela que, em Florianópolis, em junho de 2005, conseguiu impedir o aumento de 30% que a prefeitura sulista pretendia aplicar à tarifa dos ônibus.

Nove militantes catarinenses transferiram-se para São Paulo para ajudar a organizar a ação contra o aumento das tarifas. Transmitem o script vencedor de Florianópolis e que consiste em realizar passeatas em série -todos os dias, sem descanso-, arrombar ônibus e liberar catracas, que é para conquistar o apoio da população. Um desses militantes transferidos é Guaxinim, do IML, sigla que, neste caso, significa “Instituto do Motim Libertário”.

Anarquista, ele estudava arte contemporânea na Universidade Federal de Santa Catarina e agora está matriculado na Universidade de São Paulo. Não se viam bandeiras do PT. Nem os radicais PSTU e PSOL estavam representados na passeata e invasão do terminal de ônibus. Também a União Nacional dos Estudantes e a Central Única dos Trabalhadores não estavam presentes. Em vez disso, muito jovem vestido de preto, camisetas da banda Ramones, piercings, punks.

Também tinha “zapatistas brasileiros”, que desfilaram com bandeiras vermelhas e pretas, e camisetas enroladas no rosto, para parecer o Subcomandante Marcos, líder do movimento mexicano. Ah, também tinha os palhaços do “Palhaços pelo Passe Livre”, que defendem a vida sem catracas e a passagem gratuita para todos.

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