Internacional

9 milhões vão às urnas no Equador

Por Fabiano Maiosonavve | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Quito - Os cerca de 9 milhões de eleitores equatorianos comparecerão ao segundo turno presidencial hoje bastante divididos e razoavelmente hesitantes entre dois candidatos ideologicamente opostos, mas também temerosos de que possa haver uma “mexicanização” do país, com o candidato derrotado sem aceitar a vitória do adversário sob a alegação de fraude.

A maioria das pesquisas de intenção de voto revela um empate técnico, e um número ainda considerável de eleitores indefinidos deixam o resultado imprevisível.

Depois de vencer o primeiro turno e liderar durante quase toda a campanha do segundo (ao todo, seis longas semanas), o milionário Álvaro Noboa, de direita, passou a perder terreno para o esquerdista Rafael Correa, um aliado do venezuelano Hugo Chávez.

Uma pesquisa divulgada na sexta-feira pela empresa Cedatos/Gallup mostrou, pela primeira vez em sua série de levantamentos, uma ligeira vantagem a Correa, embora dentro do empate técnico. O candidato da Alianza País chega a 52%, enquanto Noboa, do Partido Renovador Institucional Ação Nacional (Prian), obtém 48%.

O número de indecisos também é parecido ao de outros levantamentos: surpreendentes 17%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para cima ou para baixo.

“Há uma incerteza se o suposto empate técnico que as pesquisas mostram ocorrerá da mesma forma nas eleições dado o alto número de indecisos”, disse José Hernandez, analista político e diretor editorial da revista “Vanguardia”.

Caso a diferença apertada dos levantamentos se mantenha nas urnas, o temor no país politicamente mais instável da região é a contestação dos resultado pela parte derrotada.

Correa, que alega ter havido fraude no primeiro turno, disse a milhares de simpatizantes na última quinta-feira para evitar que “roubem” as eleições de hoje.

Na votação de 15 de outubro, as acusações do esquerdista ganharam força depois que o consórcio brasileiro E-Vote, contratado pelo governo equatoriano para fazer a apuração, não conseguiu cumprir os prazos estabelecidos e teve o contrato rescindido.

Já Noboa, que tem sua base eleitoral na relativamente próspera Guayaquil e em outras cidades litorâneas, disse na quinta-feira que ainda lidera as pesquisas e convocou seus simpatizantes a celebrar a vitória nas ruas logo após o fechamento das urnas, mesmo antes de saírem os resultados.

Temendo confrontos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu às redes de TV que não divulguem pesquisas de boca-de-urna se a diferença entre os dois for pequena.

A ONG Participação Cidadã, que fará um levantamento paralelo, já disse que não divulgará números se a diferença for menor que 50 mil.

Estabilidade difícil

A troca de insultos entre os candidatos, as acusações de fraude e o Congresso eleito bastante fragmentado têm gerado um forte pessimismo sobre as chances de o Equador sair de dez anos de forte instabilidade política, período em que nenhum dos três presidentes eleitos terminou o mandato.

“Já se pode dizer desde agora que haverá um fracasso de governabilidade”, diz Hernandez. Para o analista, caso Noboa ganhe, terá mais possibilidade de conseguir a maioria no Congresso, mas ele não reúne condições de empreender as reformas políticas e sociais exigidas pela população. Já o maior problema de Correa na Presidência, afirma ele, seria o fato de que seu partido não lançou candidatos ao Congresso.

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