Alunos dos cursos de eletroeletrônica e mecânica de usinagem do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru foram premiados no fim do ano passado pela criação de uma cadeira de rodas que permite ao usuário ficar sentado, deitado ou em pé.
No início deste ano, os mesmos alunos concluíram outro trabalho que pode beneficiar os cadeirantes. Trata-se de uma estrutura com dois motores e duas rodas que pode ser acoplada à cadeira de rodas, facilitando o deslocamento. O projeto também foi premiado.
Segundo informou o instrutor do curso de mecânica de usinagem, Benedito Bautz Martins, 31 anos, a idéia é produzir equipamentos de baixo custo que possam ser utilizados pelo maior número de cadeirantes.
A cadeira de três posições é acionada por controle eletrônico, enquanto a outra funciona com o uso de baterias. A principal vantagem da cadeira motorizada é o preço. Enquanto as que existem no mercado custam cerca de R$ 8 mil, a estrutura criada pelos alunos do Senai, que pode ser acoplada a qualquer cadeira de rodas comum, tem custo de R$ 2,5 mil aproximadamente.
No entanto, ainda nenhuma empresa procurou o Senai com a proposta de firmar convênio para a utilização da tecnologia desenvolvida pelos alunos e, assim, passar a produzir esse equipamento em grande escala. Participaram da elaboração e execução desses dois projetos os alunos João Vitor Augusto, 18 anos, Alan Quiterio, 20 anos, ambos do curso de mecânica de usinagem, e Helder Luiz Taveira Assis, 18 anos, de eletroeletrônica.
Outra facilidade que o Senai criou dentro da unidade de Bauru é voltada aos deficientes visuais. Alunos do curso de técnico em artes gráficas desenvolveram uma tinta emborrachada que fica saliente com a ação do calor.
Na prática, isso significa que um livro poderá ser escrito em braile (código tátil de leitura) utilizando os dois lados da folha. No sistema de impressão tradicional, isso fica mais difícil porque o conjunto de pequenos pontos em alto-relevo pelos quais o deficiente passa os dedos e consegue identificar a letra correspondente é feito na própria folha e não por meio de tinta.
De acordo com o professor de artes gráfica César Augustus, o custo de impressão em braile no sistema tradicional custa em torno de R$ 7,00 por folha. Enquanto isso, o uso da tinta emborrachada derruba o custo para R$ 0,60 por folha.