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Mortes por câncer aumentam no País

Folhapress
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São Paulo - O número de mortes por câncer no Brasil aumentou 24,7% entre homens e 18,6% entre mulheres entre 1979 e 2004. É o que revela o estudo “Situação do Câncer no Brasil”, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), divulgado ontem, dia nacional de combate ao câncer.

Neste período, as mortes de mulheres por câncer saltaram de 63,23 casos a cada 100 mil pessoas para 74,99. Entre homens, o mesmo índice subiu de 85,58 para 106,74.

O instituto estima que, a cada ano, 140 mil pessoas são vítimas da doença no Brasil e que 500 mil novos casos são diagnosticados. Os números representam a somatória de todos os tipos de câncer, mas dois deles apresentaram um crescimento de quase cem por cento. Entre os homens, o número de mortes por câncer de próstata aumentou 95,48%; entre mulheres, o aumento do câncer de pulmão foi o maior, atingindo 96,95% - contando homens e mulheres, o aumento foi de 35,03%. Ao mesmo tempo que o número de mortes vem crescendo, o valor da verba usada pelo governo federal vem aumentando.

Segundo o documento, o aumento dos óbitos se deve ao crescimento da exposição da população a fatores de risco, como tabagismo, nos casos de câncer de boca e esôfago, e obesidade, que é considerado um agravante para câncer no reto e cólon.

Gastos

O governo federal gasta hoje o dobro do que gastava há seis anos com tratamento do câncer - despesa que só tende a aumentar nos próximos anos e que, segundo especialistas, expõe as falhas no investimento na prevenção à doença. O alerta sobre os gastos foi feito ontem pelo Instituto Nacional de Câncer.

Em 2000, o gasto federal com assistência oncológica estava em R$ 571 milhões. Esse valor aumentou 103%, chegando ao nível de R$ 1,160 bilhão em 2005. Para Luiz Antonio Santini da Silva, diretor-geral do Inca, o aumento dos custos de tratamento e de aquisição de novas drogas, o crescimento do número de internações e um maior número de diagnósticos da doença são as principais causas desse aumento. Ele afirma que a principal estratégia para diminuir o aumento dos gastos é a melhoria no acesso à informação por parte da população e dos médicos. “Em muitos casos, o câncer pode ser prevenido ou curado, se a população estiver adequadamente informada a respeito dos cuidados que deve tomar.”

Especialistas concordam que o aumento das despesas denota falhas na prevenção e detecção precoce do câncer - quanto mais tarde a doença é descoberta, mais caro é tratá-la. “Mais de 50% dos casos de câncer de pulmão e da mama são detectados tardiamente”, afirma a oncologista Nise Yamaguchi, presidente da seção São Paulo da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

Pesquisas feitas no próprio Inca de 1999 a 2003 mostram que apenas 3,35% dos casos de câncer da mama foram diagnosticados em seu estágio inicial, enquanto 46,2% só foram descobertos quando a doença já estava em fase avançada. O percentual de mulheres que viveram por pelo menos mais cinco anos foi de 80% quando a doença foi diagnosticada em seu primeiro estágio clínico. Quando a doença já está em estágio avançado, esse percentual cai para 5%.

Diagnóstico

O diretor-geral do Inca também aponta a necessidade de melhorar o diagnóstico. “Câncer não pode ser um problema só dos especialistas. O diagnóstico tem que ser feito também pela rede de saúde. Quando ele é feito por um especialista, é um sinal de que a doença já chegou em estágio avançado.” Para ele, o governo federal tem atuado na melhoria da prevenção e do diagnóstico da doença, mas os resultados não aparecem de forma imediata. “Houve avanços muito grandes de um ano para outro, mas esses resultados não vão aparecer num curto prazo.”

Como exemplo de avanços ele cita a informatização do sistema de informação para casos de câncer de colo de útero, projetos-piloto para melhorar a qualidade do diagnóstico da doença e a redução de 39% para 19% na proporção de adolescentes que fumam nas principais capitais.

Para Yamaguchi, as estratégias de prevenção ainda são tímidas quanto ao tabagismo. “Foram criados centros de tratamento, mas o que existe ainda é insuficiente.”

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