Internacional

Casa Branca põe em xeque força de premiê iraquiano contra violência

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Sob a intensificação do debate sobre o Iraque estar ou não em guerra civil, a Casa Branca questiona se o premiê iraquiano, o xiita Nuri al Maliki, é capaz de conter a violência sectária que toma o país, segundo documento revelado pelo “New York Times”.

O presidente dos EUA, George W. Bush, adiou para hoje o encontro que teria ontem com Maliki na Jordânia. Em memorando sigiloso no último dia 8, diz o “Times”, o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, questiona a fragilidade do premiê e recomenda que os EUA ajam para fortalecê-lo. O texto, obtido pelo jornal por meio de um funcionário da Casa Branca, sugere que, se Maliki fracassar em uma série específica de medidas, será preciso pressioná-lo a redesenhar seu bloco parlamentar. Os EUA poderiam contribuir para isso com “ajuda financeira a grupos moderados” e o aumento de seu contingente em Bagdá.

Segundo o “Times”, Hadley, que esteve com o premiê iraquiano no último dia 30, ressalta ainda o fato de Maliki amparar parte de sua base política em líderes xiitas radicais. Tal estratégia pode se mostrar frágil, sobretudo após o anúncio, também ontem, que 30 parlamentares e cinco ministros ligados ao clérigo radical xiita Moqtada al Sadr suspenderam relações com o governo. “Suas intenções podem parecer boas (...), e relatórios mais minuciosos indicam que ele está tentando forçar mudanças positivas”, diz o texto. “Mas a verdade das ruas de Bagdá indica que ou Maliki ignora o que está acontecendo ou sua capacidade ainda não é suficiente a ponto de transformar boas intenções em fatos.”

Romper com Sadr - que encabeçou um levante contra os EUA em 2004 e lidera o Exército Mehdi, milícia acusada de promover ataques contra sunitas - era um pedido antigo dos americanos a Maliki. Mas foi o grupo do clérigo que acabou tomando a iniciativa, desgostoso com o encontro que o premiê teria com Bush ontem em Amã. A reunião acabou sendo adiada para hoje.

Comentários

Comentários