O clima acirrado e a ampla realização de boca-de-urna na eleição para o comando da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lembraram as disputas de uma verdadeira eleição municipal, inclusive com fogos de artifício, muitos cabos eleitores e a utilização ainda da velha cédula de papel. Foi neste ambiente que 1.555, de pouco mais de 2.500 advogados com direito a voto de Bauru, Duartina e Piratininga, escolheram a chapa de situação na diretoria para o próximo triênio, tendo Caio Augusto da Silva Santos, de apenas 31 anos, na presidência.
O resultado confirmou o favoritismo da chapa Consolidação, onde Caio, atual vice-presidente da subseção, obteve 730 votos, contra 420 de Evandro Dias Joaquim e outros 405 de João Piccino. A performance mantém o grupo de Edson Roberto Reis, atual presidente local, na direção da entidade, com o próprio Reis disputando o Conselho Estadual. Entretanto, a divisão dos votos mostrou que dois grupos de oposição contam com a simpatia de mais da metade dos profissionais de advocacia na cidade.
Logo após saber do resultado, o próprio Caio Augusto comentou que um dos desafios será unificar a categoria. “O importante agora é que os nossos concorrentes tenham em mente que a OAB é o que importa, a instituição, e o trabalho para a defesa das prerrogativas dos advogados e para isso precisamos lutar juntos e rasgar o mapa eleitoral”, comentou.
O presidente cessante, Edson Reis, foi na mesma linha, embora tenha criticado a postura de um dos opositores ao saber que Evandro Joaquim tenha adiantado que, nesta condição, vai fiscalizar e acompanhar os atos da gestão atual. “É uma reação de quem não assimilou a derrota e é preciso ter em mente que o mapa eleitoral acabou, agora a disputa não é aqui é contra os que recebem e tratam mal os advogados e os problemas que enfrentamos lá fora”, abordou Reis.
Se fosse eleição para preenchimento de cargo público, a disputa pela OAB-Bauru realizada ontem certamente sofreria impugnação, e para todas as chapas. À medida que chegavam à sede local, os advogados eram bastante assediados pelos três grupos. No caminho até a cabine de votação, muitos tapinhas nas costas, cumprimentos, pedidos diretos de voto, colagem e recolagem de adesivos e entrega de santinhos.
Boca-de-urna
Ao final da votação a eleição ainda exibia carros com faixas dos candidatos, uma carreta com cartazes por todos os lados em frente à sede da OAB, grupos uniformizados, muito papel com santinhos no chão, tenda com promoção da chapa de oposição liderada por Piccino e dezenas de cabos eleitorais.
O resultado das urnas mostrou domínio da situação. Mas os integrantes da entidade estão preocupantes com alguns indicadores da eleição.
Caio Augusto, o vencedor, reconhece que é preciso intensificar o trabalho de redução da inadimplência dos associados, situação que levou em torno de 1.500 advogados a não terem nem condições de votar. Não bastasse isso, outros 1.000 não compareceram para a eleição, transformando o quórum possível de 2.500 em 1.555 votantes.
Para Evandro Joaquim, o resultado da votação mostrou que há descontentamento com a representação da OAB em Bauru. “A chapa do Caio Augusto venceu e que faça um bom trabalho, mas os votos mostram que não há apoio da maioria à falta de transparência com que a gestão atual levou a entidade. Vamos fazer oposição consistente, acompanhando os atos de gestão e cobrando e esse papel nós cumprimos nessa eleição”, avaliou.
A chapa vencedora tem Caio Augusto na presidência, Yeda Costa Fernandes da Silva como vice, Josemir Redondo Fernandes como secretário geral, Alessandro Biem Cunha Carvalho como adjunto e José Laerte Josue na tesouraria.