Barra Bonita - Em 10 dias residindo em Barra Bonita, o jovem Hugo Haffmann Lima dos Santos, 19 anos, praticou três roubos que lhe colocaram numa rota perigosa em direção à criminalidade. Seu jeito de agir - o famoso “modos operandi” no linguajar policial - já deixava rastro desde o segundo crime.
Simulando com os dedos por debaixo da camisa uma arma de fogo, o jovem rendia suas vítimas em busca de dinheiro. Segundo a polícia, ele fez o primeiro roubo em um posto de gasolina e depois roubou um salão de cabeleireiro. Na segunda-feira desta semana, Santos roubou outro posto de combustíveis, na avenida Artur Balsi.
Porém, não foi a polícia que freou sua ousadia. Seu pai, o consultor de segurança Renato Silva dos Santos, 40 anos, conseguiu convencê-lo a devolver o dinheiro, que foi escondido em uma oficina mecânica de um conhecido da família, que fica a cerca de 150 metros do posto. O pai fez o filho voltar na oficina e contar para conhecido da família o erro que tinha cometido. Este, então, ligou para o dono do posto que tinha sido roubado há pouco e contou que o rapaz queria devolver o dinheiro roubado.
Desconfiado, a vítima do assalto acionou a PM e tanto o rapaz quanto o dinheiro foram localizados na oficina. O dono do posto confirmou à polícia que recebeu o telefonema para a devolução do dinheiro.
“Para nós, é um grande sofrimento e, para ele, também é, porque está lá, preso. Mas creio que seria pior se ele continuasse no erro, porque eu poderia hoje estar fazendo o enterro dele ao invés de falar do seu sofrimento”, consola-se.
Na opinião do pai, Hugo passa por um momento de atribulação, igual ao que muitos jovens da faixa etária deles estão expostos. “O jovem hoje tem grande ansiedade e desejos, muito diferente do que foi a nossa juventude. Até nós não estamos preparados para entendê-los. E, às vezes, a gente fala, entra por um ouvido e sai pelo outro. É mais fácil escutar um amigo do que um pai amigo”, lamenta.
De acordo com Renato, o rapaz demonstrou arrependimento e pediu sua ajuda. “Eu falei que a melhor coisa a fazer era ele se entregar e que, infelizmente, sofreria uma punição. Creio que ele está arrependido. Disse para que tentasse uma reposição a quem causou o dano e reparasse o seu erro”, relata.
O pai explica que também se colocou na posição das vítimas da violência cometida pelo filho, na hora de convencê-lo a se entregar. “Ele (Hugo) contou dos outros dois (roubos) e falei que iríamos ter que ressarcir, apesar que não se repõe o susto. Fica uma marca.”
Novos ares
A família está de mudança de Guarulhos para Barra Bonita, onde pretende fixar residência. Renato explica que a mudança não teria relação com uma possível tentativa de afastar o filho de más companhias. “Não tem nada a ver. O que tiver que acontecer, acontece. Ou na Capital ou no Interior, porque a violência está em todos os lugares. Quantos lares estão sendo hoje destruídos por causa das drogas, da violência e da separação? Aquele que não cuidar da sua vida espiritual, com certeza, vai sofrer algum dano material e ainda maior espiritualmente”, pondera.
Renato explica que Hugo tinha planos e deveria iniciar um curso superior no início do próximo ano. Por enquanto, os projetos estão adiados porque pai e filho, acompanhados de policiais militares, tiveram que fazer uma visita indesejável ao delegado titular de Barra Bonita, Claudemir Ferracini, no meio da tarde da última segunda-feira.
Para Ferracini, Renato notou a atitude diferente do filho ao chegar em casa após o roubo. “Provavelmente, por ser um filho problemático, o pai percebeu que ele tinha feito algo errado e obteve a confissão”, explica.
Segundo o delegado, no depoimento Hugo confessou os dois assaltos anteriores. Ferracini explica que ele foi autuado em flagrante sob a acusação de roubo (artigo 157 do Código Penal) e, se condenado, pode ser sentenciado a uma pena que varia de 4 a 10 anos de reclusão. O delegado ainda observa que não agiu, em momento algum, de maneira rigorosa.
“Tendo em vista, na minha opinião, não ter configurado arrependimento eficaz, eu dei voz de prisão e autuei ele em flagrante.” Hugo está à disposição da Justiça na Cadeia Pública de Barra Bonita.