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Reencontro: levando-me ao outro lado do espelho


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O nosso tempo tem suscitado indagações e provocado inquietações existenciais. Esse momento pós-moderno não dá oportunidade ao meio termo: as pessoas amam ou odeiam esse mundo imaterial onde a recuperação da informação é instantânea e completa em uma Internet que inclui todas as culturas anteriores.

Com a derrota do projeto da modernidade e com o ressurgir de formas de saber que permitem ao ser humano encontrar-se consigo mesmo e com os outros, vive-se o advento de um individuo - desconfiado do racional - disposto a afirmar sua singularidade contra o rigor do conformismo. O fim da crença no progresso reabilitou a sabedoria contra o conhecimento científico, pois desde Pascal sabe-se das razões que a própria razão desconhece. Por exemplo, as razões do coração. São essas que levam pessoas em busca do tempo perdido... de seus antepassados, de suas recordações, de seus companheiros de antigamente.

Guillermo Barrera Fierro tem feito isso sistematicamente nos últimos anos. Primeiro buscou suas raízes, depois encontrou amigos, como a Leila, que o ajudou a me encontrar.

Quem é Guillermo? Um multmídia? Um videomaker? Um artista plástico? Um publicitário? Um designer? Um homem de negócios? O estudante que eu conheci possuía a ânsia de ver além das coisas temporárias buscando apreender o eterno. Então, ele pode ser tudo isso ao mesmo tempo.

Ele é argentino e meu ex-aluno. Perambulou pela Europa e hoje vive em Miami conectado ao admirável mundo novo das telecomunicações.

O prefixo tele - de telefone, televisão, telecomunicação ou teleconferência - designa a justaposição em um mesmo espaço de acontecimentos distantes definindo técnicas que atuam sobre o afastamento para negá-lo ou para produzir a proximidade através da... Internet. Essa vasta coleção de computadores interligados em rede estendida pelo mundo não abre apenas janelas em nossa telinha, mas também portas. Em uma dessas portas deparei-me com Guillermo voltando do passado, via ciberespaço. Assim que aportou no Brasil comunicou-se comigo por e-mail e por tele-fone.

Estou na expectativa do reencontro, do encontrar de novo, pois se trata de uma viagem através de um espelho retrovisor. Todos vocês conhecem a nostalgia por terras não visitadas? A angustia provocada pela curiosidade? Então, é assim que estou me sentindo.

Comecei até a discutir no Caféterapia o que leva pessoas a essa busca e como será esse reencontro. Imagino que vamos falar do passado distante recordando pessoas conhecidas e uma cidade exuberante perdida em brumas, onde tudo era belo e agradável, onde não havia tumulto e desordem. Depois de muitas risadas a gente cai na real e a confissão mútua possivelmente será: Meu Deus, aquilo tudo era um horror!

A autora, Janira Fainer Bastos, é doutora em Estética e História da Arte, aposentada da Faac-Unesp e leciona no curso de Design do Iesb

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