O monitoramento de ruas através de câmeras poderá sair do papel no ano que vem. A Câmara Municipal aprovou, anteontem, o orçamento previsto para 2007, contendo uma emenda que destina R$ 200 mil para a aquisição de equipamentos eletrônicos de segurança a serem instalados em pontos estratégicos da cidade. A medida visa coibir atos criminosos e fiscalizar o trânsito.
A proposta, de autoria do vereador Primo Mangialardo (PV), que tramita na Câmara há alguns anos, foi aprovada em primeira discussão. Ainda haverá uma segunda rodada para que depois o projeto seja encaminhado ao Executivo, que ficará responsável em apontar a secretaria responsável pela implementação do projeto.
A idéia do vereador é monitorar, com integração à polícia, as entradas e saídas de rodovias e as principais avenidas da cidade, 24 horas por dia. “A princípio, seriam nove câmeras dispostas da Getúlio Vargas até o Calçadão. Numa segunda etapa, seriam instaladas mais 40, com a intenção de atender a cidade toda”, afirma.
O vereador acredita que a verba prevista poderá cobrir mais pontos do que o esperado, já que, com o avanço da tecnologia, houve queda no preço dos aparelhos de segurança. “Há 4 anos, fizemos um orçamento para cobrir 14 pontos. Na época o preço ficou em R$ 80 mil. Creio que hoje esse valor esteja bem menor, o que permitiria estender o projeto para mais ruas.”
Para Mangialardo, o monitoramento com câmera é uma tendência que diminui os índices de criminalidade. “Tomamos como exemplo a cidade de Diadema, na Grande São Paulo, onde os roubos caíram 80% após a instalação dos equipamentos de segurança nas ruas”, revela.
A Polícia Militar (PM) também é a favor da iniciativa. Em diversas oportunidades, o monitoramento com câmera foi pauta de reuniões ocorridas entre os oficiais da cidade. O equipamento passou até mesmo a ser utilizado em operações. No mês de novembro, uma ação criminosa de tráfico de drogas foi desmantelada com auxílio de filmadoras instaladas em pontos críticos da região central.
Para o tenente Nélson Garcia Filho, que estuda o sistema de monitoramento em funcionamento em outras cidades do Estado, o projeto tem tudo para ser um sucesso. “Comprovadamente, roubo, vandalismo e tráfico diminuíram em cidades que já dispõem do serviço, como Praia Grande, Valinhos, Campinas e Gurarujá. O sistema afugenta os marginais e atrai as famílias, que se sentem mais seguras em freqüentar locais com fiscalização”, relata.
Primeiro o Centro
O policial acredita que a ação deveria começar no Centro e depois se expandir para o restante da cidade. “Penso que o Calçadão deveria ser o primeiro local a ser contemplado com o sistema. Em seguida viriam as praças Rui Barbosa e da Paz, onde são registrados pequenos delitos. Depois viriam as ruas e avenidas de maior movimento.”
Segundo Garcia, o projeto, além de inibir a ação de criminosos, otimizaria o efetivo policial e poderia ajudar até mesmo no trânsito. “A polícia estaria na rua, da mesma forma. No entanto, esta ferramenta amplia o campo de visão do policial. Menos tempo será gasto com ronda e um maior efetivo irá agir em situação concreta, em tempo real, inclusive detectando pontos de lentidão no trânsito e atuando para melhorar o fluxo no local”, afirma.
Hoje seria necessário que polícia e monitores trabalhassem em conjunto. Segundo major Garcia, o estatuto da PM não permite que policiais sejam utilizados no monitoramento. “Teria que existir algum funcionário, mantido por associações ou mesmo pela prefeitura, que trabalhasse em conjunto e contato direto conosco”, revela.