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Governo e centrais não entram em acordo sobre novo salário mínimo

Folhapress
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Brasília - O governo e as centrais sindicais não conseguiram chegar nesta tarde a um "ponto de equilíbrio" em relação ao valor do salário mínimo que irá vigorar no que vem e à correção da tabela do Imposto de Renda. Por essa razão, uma nova reunião foi marcada para a próxima quinta-feira.

“É necessário um processo de maturação para encontrar um ponto de equilíbrio, que é o que a União possa pagar e também possa atender aos trabalhadores”, disse o ministro Luiz Marinho (Trabalho), que acompanhado de quatro outros ministros participou de reunião com as centrais sindicais.

A posição do ministro Guido Mantega (Fazenda) é elevar o mínimo de R$ 350,00 para R$ 367,00 (4,86%) (INPC mais PIB per capita). No entanto, na proposta orçamentária enviada para o Congresso Nacional em agosto, o valor previsto era R$ 375,00 (7,14%). Isso porque o governo esperava que a inflação e o crescimento da economia fossem maiores. Já as centrais querem R$ 420,00 (20%) e a tabela do IR corrigida em 7,7%. “Nós temos que ter um ponto de equilíbrio. Ninguém está falando de arrocho ou de diminuir poder aquisitivo. O que estamos fazendo é uma proposta que indica uma elevação real. Porém, ela não pode crescer muito porque ela vai impactar a Previdência e teremos menos recursos para disponibilizar para investimentos”, defendeu Mantega.

Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, Mantega “está sozinho” dentro do governo ao defender esse valor. Participaram da reunião de ontem, além de Marinho e Mantega, os ministros Nelson Machado (Previdência), Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria Geral) e representantes das centrais sindicais. Nenhuma proposta foi discutida na reunião de ontem.

Na próxima semana, o governo deverá apresentar qual o impacto dos reajustes para as contas públicas. No caso da Previdência, é de R$ 109 milhões a cada R$ 1,00 de aumento (a partir de abril). No entanto, o mínimo impacta em outras contas do governo, como salário desemprego e Lei Orgânica de Assistência Social (Loas).

“O governo tem preocupação em valorizar o poder aquisitivo do salário mínimo e também discutir o Imposto de Renda. Mas isso é parte de um conjunto de política para ter equilíbrio nas contas públicas, controlar a inflação e valorizar o mínimo”, disse o ministro Paulo Bernardo.

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