Brasília - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie Northfleet, disse a pessoas próximas que o assaltou que sofre na noite de anteontem no Rio foi uma “casualidade”, que “pode acontecer em qualquer lugar do mundo”. O episódio não deve provocar alterações na segurança da ministra, pois na avaliação de pessoas envolvidas, ela não era o alvo dos criminosos.
A ministra estava acompanhada do vice-presidente do STF, Gilmar Mendes, quando teve seu carro assaltado, por volta das 21h45, num arrastão na Linha Vermelha. Segundo assessores da ministra, foram roubados todos os documentos dela, incluindo RG e cartões de crédito. Uma mala com objetos pessoais também foi levada no assalto.
A ministra não estaria carregando nenhum documento do STF no momento do assalto. A atuação dos seguranças do Tribunal Regional Federal (TRF) da segunda região, que faziam a escolta da ministra, foi considerada correta por Ellen Gracie. A interlocutores ela comentou que se houvesse qualquer reação dos seguranças, os assaltantes poderiam iniciar uma troca de tiros que resultariam numa tragédia. Assessores da ministra disseram que ela não sofreu qualquer agressão por parte dos assaltantes - de seis a oito pessoas participaram do arrastão.
O assalto foi registrado em boletim de ocorrência, mas os ministros não foram à delegacia. A Polícia Federal (PF) foi avisada do assalto, mas não interferiu na segurança da ministra, que depois, cumpriu os compromissos que tinha no Rio de Janeiro. Ellen Gracie já retornou a Brasília, mas preferiu não comentar o episódio com a imprensa. Ela está em casa porque ontem foi feriado da Justiça e não tem expediente no Supremo.
Gracie recebeu telefonemas de solidariedade do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), e dos ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, além de ministros do STF.
Cobrança
O ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, cobrou ontem ações contra a violência. “Cabe à polícia investigar. É uma questão de segurança pública, direito do cidadão. É importante que essa questão seja resolvida e haja uma solução para o Brasil”, disse Mendes, que participou ontem da inauguração de um novo prédio da Justiça do Rio de Janeiro.