Macatuba - A criação de búfalo da fazenda Surubim, em Macatuba (a 46 quilômetros de Bauru), tem um diferencial em relação às outras. Todos os animais são criados pelo sistema orgânico, embora o criador, Rui Alfredo de Bastos Freire Filho, não tenha certificação.
Há cinco anos que na propriedade não se usa fertilizante químico e há sete que os herbicidas foram abolidos. Os antibióticos só em casos extremos. “Não somos radicais. Se o animal estiver correndo risco de vida e não responder aos medicamentos homeopático ou ayurvértico, entramos com o tratamento tradicional”, explica Freire Filho.
Quando isso acontece, Freire Filho separa o animal para que seu leite seja aproveitado somente depois de cerca de 12 meses. “O animal que recebeu antibiótico é separado do rebanho e o leite só será usado após um ano para que todos os resíduos do medicamento desapareçam.”
Ele explica que, se tivesse a certificação para orgânico, não poderia ter essa flexibilidade. “Trabalho mais com a confiança. O que eu posso garantir para o meu consumidor é essa separação e o descarte do produto, sem o processo burocrático”, afirma.
Freire Filho explica que trabalhar com base na confiança é mais vantajoso do que com a certificação do orgânico. “Tem algumas coisas do orgânico que são complicadas. Este ano, por exemplo, as chuvas estão irregulares e não temos pasto. É uma situação emergencial. As novilhas sentiram e ficaram muito magras, então estou adicionando cana e farelo de trigo para socorrer os animais”, comenta.
De acordo com o criador, que é membro da fundação americana Weston Price, a tendência é passar a alimentar os animais com alimentos chamados volumosos. “Nos Estados Unidos e na Inglaterra, a tendência é não dar mais ração para o gado e voltar a trabalhar com pastagens. A qualidade do produto final é superior”, assegura Freire Filho. Ele ressalta que os americanos e ingleses não estão mais preocupados com a quantidade, mas com a qualidade do produto. “Eles atingiram a quantidade e buscam a qualidade”, completa.
O criador pretende trabalhar com um custo de produção que possibilite a democratização dos produtos derivados do leite de búfala. “Não queremos ficar restritos ao mercado que atende uma fatia de consumidores considerados elite. Isso pode ser interessante num primeiro momento, mas é perigoso a média prazo.”
O rebanho de Macatuba não é o maior da região, explica Freire Filho. “Eu tenho 55 fêmeas em lactação. Em Bocaina tem uma criadora com mais de 100 cabeças e um laticínio reconhecido pelo Serviço de Inspeção Federal”, conta.