Cultura

Ricardo Kotscho lança biografia em Bauru

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

“Uma declaração de amor à profissão, ao jornalismo e, principalmente, à reportagem”. Assim o premiado jornalista Ricardo Kotscho define a mensagem que pretende passar com a publicação de seu novo livro, “Do Golpe ao Planalto - Uma Vida de Repórter”, pela Companhia das Letras, que ele divulga nesta noite, às 20h, no Automóvel Club.

No evento, gratuito, Kotscho também participará de um bate-papo sobre jornalismo e sobre a produção do livro. A iniciativa da visita é da regional Bauru do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, e com apoios do Sistema REB & JB de Comunicação, Editora Companhia das Letras e das livrarias Jalovi e Toninhos Office (Barra Bonita).

Em pouco mais de 350 páginas, são percorridos 40 anos da carreira de Kotscho. Desde o tempo de “foca” no “Estado de S.Paulo”, onde era chamado de Ricardinho pelo então chefe, Clóvis Rossi, até sua despedida, no Palácio do Planalto, do cargo de secretário de imprensa da Presidência, no final de 2004.

Em entrevista, Kotscho diz acreditar, “sinceramente”, que o jornalismo seja a “melhor profissão do mundo”. Principalmente se o trabalho de repórter tiver conseqüências. Do início dos anos 80, Kotscho relembra o caso de dezenas de pessoas que apareceram para ajudar um casal no ABC paulista depois que uma de suas reportagens mostrou a agonia causada pelo desemprego.

Tendo o pano de fundo dos últimos 40 anos da história do Brasil, o livro é um emaranhado de memórias, viagens, amigos e empregos do jornalista. “Escrever livro de memórias é fogo. Você passa a vida inteira juntando histórias. Quando chega a hora de escrever, a memória já não ajuda. E, quando você é jovem e tem a memória boa, não tem histórias para contar”, diz Kotscho.

Embora já tenha outros 15 livros publicados, o jornalista afirma que “Do Golpe ao Planalto” é o primeiro escrito “profissionalmente”. “No final, aprendi que escrever um livro é basicamente reescrever e cortar palavras”.

Posfácio e mensalão

Kotscho levou um ano para terminar o livro, de dezembro de 2004 a dezembro do ano passado. Depois de pronto, se viu obrigado a escrever um posfácio para comentar a crise política causada pelas denúncias de corrupção que abalaram o governo de seu amigo de mais de 30 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Kotscho e Lula se conheceram quando o petista era sindicalista no ABC paulista. Na campanha eleitoral de 2002, Kotscho voltou a trabalhar na área de imprensa com o então candidato. Após a vitória, sua ida para a Secretaria de Imprensa do Planalto aconteceu quase que por “osmose”.

Sobre a crise do mensalão, que eclodiu pouco meses depois de deixar o Planalto, Kotscho hoje afirma: “Convivi dois anos dentro do governo e nunca ouvi falar de mensalão. Fiquei chocado quando isso começou a sair no noticiário. Eu não conseguia nem entender”.

Pessoalmente, acredita que houve o mensalão? “Acho que houve essa coisa de dinheiro de partido, que tem a ver com a campanha de 2004. Mas não acredito que saíram distribuindo dinheiro, um monte de gente recebendo, com sacolas circulando. Não estou dizendo que não houve, mas não consigo entender”.

Para o jornalista, “é difícil avaliar” a responsabilidade do presidente Lula na crise. “Ainda vai levar um bom tempo para uma avaliação fria. A minha nunca será fria, pois participei do governo e sou amigo e muito próximo de Lula. É uma amizade de mais de 30 anos”, diz.

• Serviço

Lançamento do livro de Ricardo Kotscho hoje, às 20h, no Automóvel Clube (praça Rui Barbosa, 1-23). A entrada é gratuita. Mais informações: (14) 3235-1072.

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