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São Paulo se prepara para receber visita do papa Bento XVI

Por Leandro Beguoci | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Mosteiro de São Bento receberá o papa Bento XVI com um cardápio que inclui muito mais que uma suíte na clausura com internet, telefone e bolos preparados pelos monges. Se o papa tiver tempo, poderá saber que índios comeram a família do fundador do mosteiro e que a cela onde dormirá entre 9 e 11 de maio foi ocupada pelo dalai-lama em 2003.

Apesar dos 408 anos, o mosteiro onde vivem os seguidores de São Bento (padroeiro da Europa e que inspira o nome do papa) vive expectativa adolescente. “Será nossa visita mais ilustre, e estamos nos preparando para isso”, diz dom João Evangelista Kovas, 31 anos, prior do mosteiro. Frei Mauro Teixeira foi o primeiro beneditino a chegar à cidade, em 1598.

Discípulo do padre José de Anchieta, ele entrou na ordem após sua família ser morta por índios tamoios num ritual de canibalismo. Em São Paulo, começou a construir uma pequena capela, depois deslocada para lugar mais ilustre. “O papa vai encontrar um lugar confortável e cheio de histórias”, diz d. João.

A cela em que ficará Bento XVI é a de número um da hospedaria da clausura, mede 60 m2 e é dividida em três espaços (dormitório, banheiro e sala de visitas). Dela, o papa avistará o jardim com fonte de água da clausura, que está em reforma, e as celas onde ficam os 38 monges que moram no São Bento. Além da cela número um, o séquito papal vai ocupar outras cinco celas (transformadas em suítes) das 13 da hospedagem. Bento XVI verá uma arquitetura típica de Beuron, cidade alemã localizada na Baviera - região de origem do papa.

Arquitetura

A primeira versão do mosteiro de São Bento ficou pronta em 1634 e foi demolida em 1910 pelo abade (responsável pelo mosteiro) alemão dom Miguel Kruse. Ele é tido pelos beneditinos de São Paulo como o maior de todos os abades que passaram pelo mosteiro por ter tirado a ordem da decadência no início do século 20. O tempo em que ele ficou à frente do mosteiro estimulou a vinda de outros alemães. No São Bento, o papa poderá conversar com um conterrâneo da Baviera, o monge Plácido Böckl, 94 anos, junto com bolos como o Bethlehem (pistache, tâmaras e damasco) ou o bolo dos monges (ameixas, vinho canônico e açúcar mascavo).

Papamóvel

Em 1980, quando João Paulo II veio pela primeira vez ao Brasil, não foi ao São Bento porque o centro de São Paulo, entre outros itens, não oferecia condições de pouso para os helicópteros nem de segurança para os membros da comitiva. No ano que vem, deve ser usado um heliponto na rua da Boa Vista.

A segurança deve ficar a cargo da Polícia Federal, com ajuda do Exército. No breve percurso entre o heliponto e o mosteiro, Bento XVI deve usar um “papamóvel” blindado.

O veículo será usado ainda em outros deslocamentos do papa, como o encontro com jovens no Vale do Anhangabaú. Sobre o cardápio do papa, d. João declarou: “Preparamos sempre comidas diferentes para hóspedes ilustres. Ainda vamos ver se terá feijoada”.

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