Ser

Amor de férias

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Férias é sinônimo de diversão, lazer, festas, viagens e, claro, paqueras. Afinal de contas, quem é que nunca viveu um amor de verão, ou ainda, em alguns casos, de inverno? Isto porque o período de descanso da escola ou do trabalho pode ser transformar em cenário ideal para despertar paixões.

Que o diga a estudante Gabriela Campos Salles, 14 anos. Há aproximadamente duas semanas, ela está vivendo um romance de férias. A adolescente conheceu o garoto ano passado, quando passeava com as amigas, no Bauru Shopping Center. Logo se tornaram amigos e, desde então, passaram a sair todos juntos, em turma. Mas não demorou muito para a amizade se transformar em paquera. “Começou em dezembro e ainda estou vivendo esse amor de verão”, diz. “Está bem legal”, revela.

A adolescente Gabriela Calazans, 13 anos, também tem um romance de férias para contar. Em julho do ano passado, ela teve um “rolo” com um amigo do colégio. Os dois se cruzavam pelos corredores da escola, mas só começaram a paquera via Internet. Depois de diversos e-mails, e horas se comunicando pelo MSN e pelo Orkut (site de relacionamentos), eles “ficaram”, conta a garota, que mora em Panorama, Interior de São Paulo e está passeando em Bauru.

“Conheci-o no meio do ano passado, na minha cidade. Nós estudávamos juntos, mas não nos falávamos. Aí ele começou a me paquerar”, revela Gabriela. Ela guarda muitas recordações do período e revela que a experiência ficou registrada em sua agenda. “Foi bem legal”, diz. Segundo a garota, o relacionamento durou dois meses e terminou quando o menino se mudou para São Paulo.

Engana-se quem pensa que amor de férias são vivenciados apenas por adolescentes. Muitos adultos, homens e mulheres, de diferentes faixas etárias, já tiveram um amor durante viagens e períodos de descanso e lazer. É o caso da professora Loidimara Mariano Rodrigues, 40 anos. Quando era mais nova, conta, ela viajou para Glicério e, durante uma festa, conheceu um rapaz. Com ele, viveu uma paixão de verão. “Ele havia passado no vestibular para odontologia e estava participando de uma comemoração. Ficamos juntos por algumas semanas, mas depois não deu mais certo”, diz. “Na época, chegamos a trocar algumas cartas, mas hoje não tenho mais notícias dele”, complementa.

Há dois anos, no recesso de julho, Loidimara viveu um novo romance de férias. “Foi uma experiência momentânea, ninguém cobrava nada de ninguém e quando resolvemos acabar, cada um seguiu seu caminho. A amizade, porém, permaneceu”, revela. O relacionamento durou dois meses, mas ela conta que o período ficará registrado em sua história de vida. “Sentimentos são coisas que marcam muito o ser humano. De repente me pego ouvindo uma música que eu ouvia com a pessoa ou sinto um perfume e me lembro dela, dos nossos momentos juntos. Fico imaginando o que aconteceria se eu visse ele de novo”, observa. Ela guarda, até hoje, algumas pétalas de buquês de flores que ganhou de seu amor de inverno.

Experiência semelhante ocorreu com o professor Edson Alexandre de Lima, 29 anos. Assim como Loidimara, durante o recesso das aulas, em julho, ele se apaixonou por uma pessoa de São Paulo. A relação se estendeu até dezembro e quando se viam, “ficavam”. Embora não estejam mais juntos, Edson faz questão de manter contato por meio da Internet. “Nos falamos pelo MSN, e-mails, deixamos recadinhos no Orkut ou até mesmo por telefone”, diz. Na época, a conta de telefone do professor chegou a R$ 400,00 devido às ligações interurbanas. “Ficávamos horas conversando. A conta de telefone era alta, mas valeu a pena. Foi maravilhoso enquanto durou”, diz.

Na opinião de Edson, as férias são um cenário propício para se apaixonar ou iniciar namoros. Isso porque durante o período, a maioria das pessoas está se divertindo e não têm grandes preocupações com horários ou trabalho. “Minha rotina é agitada e quando estou na correria, nem tenho tempo para pensar em namoro”, diz o professor, que, no momento, está vivendo um novo amor de férias. “Conheci uma pessoa de Minas Gerais no meu segundo dia de recesso escolar”, conta.

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Contato virtual

Em se tratando de paixão de verão, é comum surgir a clássica pergunta: “amor de praia sobe a serra?” Para a universitária Andressa Alves da Silva, 21 anos, a resposta, geralmente, é negativa. “Depende de cada caso, mas acho que a maioria acaba ficando lá embaixo”, brinca. Ela mesma já passou por uma experiência deste tipo. Na adolescência, curtiu um romance durante uma viagem à Praia Grande, litoral paulista. A história não passou de duas semanas, mas o suficiente para deixar boas lembranças, diz Andressa.

“O cenário férias, sol e mar ajuda bastante. O tempo que ficamos juntos foi bom, mas quando termina, cada um retoma suas atividades”, diz a universitária. Segundo ela, entre as razões que dificultam o namoro ou um relacionamento mais sério, se destacam a dificuldade para conhecer a outra pessoa bem em um curto espaço de tempo ou devido a distância geográfica. Mas o contato, em diversos casos, permanece via Internet. “A última vez que falei com a pessoa que conheci na praia foi no ano passado, mas ele está casado e mora em outro país. É uma experiência positiva porque além do amor de verão, é possível um amigo que acaba fazendo parte de sua vida”, pontua.

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