Entrelinhas

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Da Redação
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• Discurso da economia

E o prefeito Tuga Angerami reiterou ontem a decisão de promover a fusão da Secretaria Municipal da Agricultura com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento para a criação da nova Secretaria Municipal de Agricultura, Comércio, Indústria e Serviços. Para argumentar em defesa da medida, o prefeito reforça o discurso de que “a máquina administrativa da Prefeitura de Bauru está inchada e consome 60% do Orçamento com folha de pagamento e benefícios (vale-transporte, vale-alimentação, vale-compra e plano de saúde), comprometendo a capacidade de investimento em asfalto, iluminação e outras demandas da população”, diz o prefeito em nota.

• Ruralistas não aceitam

Os ruralistas, representados entre outros por Maurício Lima Verde, acham o argumento de racionalização de despesas furado. Mas o Executivo insiste que a “fusão da Secretaria Municipal da Agricultura com outra pasta permitirá a extinção de cargos de confiança, preenchidos por livre vontade dos prefeitos e sem concurso público, contribuindo para o esforço de enxugamento da máquina”.

• Novos juízes

A 23.ª e 300.ª zonas eleitorais de Bauru têm novos juízes desde o dia 1 de janeiro. A troca segue o esquema de rodízio realizado a cada dois anos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo. No lugar do juiz João Thomaz Dias Parra, na 23.ª Zona, assumiu Enio Moz Godoy, juiz da 2.ª Vara de Execução Criminal de Bauru. Na 300.ª Zona, a juíza Ana Carla Crescione Santos Almeida Salles, da 1.ª Vara da Família, ficará no lugar do juiz Ubirajara Maintinguer. A 387.ª Zona Eleitoral não sofreu alteração, ficando sob a responsabilidade do juiz Jaime Ferreira Menino pelo menos até o meio do ano, quando ele completará dois anos no posto.

• Rodízio natural

Quando são apontados pelo TRE, os juízes acumulam seus cargos. Com isso, ao deixarem as zonas eleitorais, Parra e Maintinguer voltam a ocupar, respectivamente, apenas a 2.ª Vara Cível e a Vara da Infância e Juventude, respectivamente suas funções no Fórum local. A troca de Parra demorou um pouco mais de dois anos. Ele assumiu a 23.ª Zona em junho de 2004 e deveria ter deixado o posto no ano passado mas, por causa das eleições, teve seu período prorrogado até o final do ano. A situação gerou um fato inusitado, o juiz comandou a principal zona eleitoral de Bauru por duas eleições (uma municipal, em 2004, e a estadual e federal, em 2006) além de um referendo (sobre o porte de armas, em 2005).

• Sear Futebol Clube

O secretário Nélson Fio confirmou ontem, em seu depoimento na CEI da Câmara Municipal, que leva jeito para organizar associações de moradores e levantar movimentos populares, mas tem pouco traquejo com controle de gestão pública e menos jeito ainda para um bom drible. Fio afirmou que adquiriu um jogo completo de uniforme para um time de futebol formado por servidores da Sear, para a equipe da pasta participar do Torneio 1.º de Maio. Ao ser alertado que o dinheiro público não pode pagar esse tipo de despesa, devolveu quase R$ 1.000,00 pelas jaquetas do escrete.

• Time não vingou

O duro é que a colaboração de Fio lhe rendeu dor de cabeça. O time da Sear não foi bem no torneio, não se tem notícia de que a equipe prosperou e, mesmo que os craques tivessem aflorado com o peso das jaquetas novas, a secretaria que ele comandava de olhos fechados acabou, sendo extinta pelo prefeito. Os servidores de carreira agora pertencem a outros times da prefeitura, em outras áreas.

• Pessoas simples

A exemplo de outras comissões de inquérito, os depoimentos de ontem mostraram, mais uma vez, que o serviço público sobrevive ou mantém sua essência estrutural graças ao empenho ou senso profissional de pessoas humildes, sérias, em sua maioria servidores de carreira da base da pirâmide. São motoristas, serventes, operadores, assistentes, auxiliares administrativos e tantos outros que carregam, independente do desgoverno, o que sobra de positivo e funcional na estrutura pública brasileira. Aqui em Bauru não é diferente.

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