Bairros

Região norte: Casas do Jd. Ivone estão prestes a ser ‘engolidas’

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Para as pessoas que não conhecem muito bem a cidade, o Jardim Ivone é fácil de ser identificado. “É aquele bairro que fica ao lado da rodovia Bauru-Iacanga, quase pendurado no barranco”, na certa responderia alguém a quem fosse solicitado a informação.

Localizado na zona norte da cidade, ao lado do córrego do Barreirinho, o local é talvez o mais esquecido de Bauru. Prova disso é a iluminação pública, que ainda não chegou a boa parte das ruas do bairro. Se bem que nem mesmo asfalto há nas vias que cruzam o lugar.

O Jardim Ivone é uma área pobre onde falta tudo, menos miséria e buracos nas ruas. São tantos problemas que fica até difícil citar um por um. De todas as mazelas, porém, talvez a mais crítica seja a das casas construídas próximas ao barranco. São dezenas, todas correndo sério risco de desabar.

O autônomo José Aparecido Bento, 37 anos, vive há nove anos em um desses imóveis. Desde que se mudou para o bairro, ele tem acompanhado ano após ano o crescimento incessante da cratera. “Quando comprei este terreno (por R$ 150,00, em valores da época), a encosta ficava na reta daquele toco”, diz, apontando um mourão de cerca localizado a cerca de 20 metros da atual margem do barranco.

Bento sabe que, pelo andar da carruagem (ou melhor, do buraco), a casa onde mora está com os dias contados. Ainda assim, ele tenta minimizar os efeitos da erosão plantando grama na encosta do precipício. “Até que segura um pouco a terra, mas quando chove forte não tem jeito: a enxurrada carrega tudo”, reconhece.

A dona de casa Maria Aparecida Costa de Oliveira, 49 anos, vive no bairro há quase 40 anos e não vê a hora de sair de perto da cratera. “Vontade de me mudar eu tenho, só que falta dinheiro para isso”, explica.

Ela mora ao lado de uma viela que se transforma em um verdadeiro corredor para enxurrada em dias de temporal. No local há também grandes tubos de concreto, instalados para conduzir a água da chuva até o córrego. “Se alguém cair aí, morre na certa”, acredita.

Oliveira garante que as crianças do bairro costumam brincar no interior dos tubos. Para piorar a situação, os próprios moradores do bairro costumam jogar lixo na encosta do barranco, colaborando ainda mais para o aumento da erosão no local.

Não é à toa que, nos últimos meses, Oliveira tem andado ansiosa para que o projeto de desfavelamento do bairro saia finalmente do papel. “No começo do ano passado a turma da prefeitura veio aqui, pegou o nome do pessoal e disse que em novembro (de 2006) todo mundo seria levado para as novas casas. Mas, por enquanto, ficou só na promessa”, queixa-se.

____________________ A fonte

No Jardim Ivone, não bastassem as ruas esburacadas e as erosões que colocam em risco a vida das pessoas, os moradores tiveram que conviver durante quase uma semana com o mau cheiro provocado por um vazamento na rede de esgoto, que chegou a ter, inclusive, sua imagem veiculada na edição da última quarta-feira do Jornal da Cidade.

É que as chuvas das últimas semanas aumentaram de maneira considerável o volume d’água circulando pelas tubulações existentes no bairro. A pressão foi tanta que acabou arrancando a tampa de um bueiro, localizado na quadra 2 da rua José Pereira de Rezende.

Um líquido de cor amarela jorrou durante dias seguidos sem que ninguém tomasse providência. “O pessoal do Departamento de Água e Esgoto (DAE) até passou por aqui. Só que eles apenas olharam e não fizeram mais nada”, reclama a dona de casa Margarida Ribeiro, que vive em frente ao local do vazamento.

Como o Jardim Ivone não conta com muitas opções de lazer, muitas crianças da vizinhança resolveram ignorar o mau cheiro e se divertiram na “nova fonte” do bairro. “Uma delas ficava enfiando a mão lá dentro. Eu falei: ‘Menino, sai daí que é perigoso.’ Ele respondeu: ‘É ‘agüinha’ de brincar’”, conta a dona de casa Maria Aparecida Costa de Oliveira, moradora do lugar. Até o fechamento desta edição, o vazamento ainda não havia sido consertado pelo DAE.

____________________ Lixão

Um dos problemas que mais atormentam os moradores do Jardim Ivone é o excesso de lixo espalhado pelo bairro. Por um lado, isso é até compreensível, já que a maior parte dos moradores sobrevive às custas da coleta de material reciclável.

Em alguns casos, porém, a quantidade de lixo é tão grande que acaba incomodando até mesmo pessoas bastante acostumadas à dura realidade do bairro. A dona de casa Maria Aparecida Costa Oliveira vive há 40 anos no local e não se conforma com a sujeira que toma conta da vizinhança.

“O povo vem com sacolinha e tudo despejar essa imundície na porta de minha casa. Pensam que aqui é lixão”, reclama. O imóvel onde Oliveira mora fica a poucos metros da encosta de uma grande erosão que ameaça engolir boa parte do bairro.

Desde que começou a chover, a vida da dona de casa se tornou mais difícil, pois a umidade faz com que os dejetos espalhem um cheiro insuportável pela vizinhança. Para piorar, na medida em que o lixo vai se acumulando na encosta, a erosão aumenta cada vez mais.

Para tentar diminuir o problema, todas as manhãs Oliveira pega uma carriola e recolhe o material jogado próximo ao barranco. Mas, por enquanto, esse esforço não vem surtindo muito efeito. “Não adianta. Eu limpo diariamente, mas as pessoas não param de despejar sujeira por aqui”, queixa-se.

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