Bauru e mais 94 municípios da região que integram a área da Superintendência Regional da Caixa Econômica Federal (CEF) terão R$ 115 milhões para financiar habitação neste ano. A verba é destinada à aquisição de imóvel novo ou usado, para construção ou reforma. Com o recurso disponibilizado, seria possível comprar ou construir aproximadamente 2,5 mil casas de R$ 45 mil - valor médio do imóvel adquirido por famílias que recebem até três salários mínimos mensais.
Esas famílias são responsáveis por cerca de 66% dos financiamentos na CEF na região de Bauru, segundo José Paulo Gomes de Amorim, superintendente da instituição financeira. No ano passado, por exemplo, foram atendidas 5.800 famílias em Bauru. A maioria recebia rendimentos de aproximadamente R$ 1 mil. “O maior déficit habitacional é entre famílias que recebem até três salários. Por isso, a maior parte dos atendidos pela Caixa têm este perfil”, argumenta Amorim.
No início de 2006, a CEF anunciou R$ 92 milhões para financiar habitação na Superintendência de Bauru. Ao longo do ano, a verba foi ampliada, chegando a R$ 149 milhões. A maior parte do dinheiro liberado pelo banco é para financiamento individual com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O valor mínimo de financiamento para aquisição de imóvel próprio utilizando recursos do FGTS é de R$ 3 mil, e o máximo, R$ 100 mil.
Para Amorim, os feirões da casa própria ajudaram a desburocratizar a aquisição de imóveis, mas o déficit habitacional ainda é grande. Ele estima que existam no País 9 milhões de famílias sem habitação. Do total de famílias que fizeram financiamento no ano passado nas 95 cidades que compõem a Superintendência Regional, Bauru representa apenas 18%. “O número é pequeno principalmente porque as famílias não têm recursos suficientes (renda)”, diz.
Outro problema específico de Bauru seria a dificuldade das construtoras em conseguir cumprir uma exigência ambiental. Para construir condomínios de casas ou de apartamentos, o bairro precisar ter interceptores de esgoto para os dejetos serem destinado à estação de tratamento mais próxima. Amorim acredita que este é o motivo de poucos financiamentos destinados a construtoras na cidade. “Os custos ficam mais onerosos e o valor final do imóvel também crescem em torno de 20%”, avalia.
O orçamento inicial anunciado pela CEF para investimento em habitação em todo o Brasil é de R$ 12 bilhões. No ano passado, as contratações habitacionais registraram crescimento de 51,6% em relação ao ano de 2005, quando o banco financiou R$ 9,1 bilhões. Apenas em recursos do FTGS, foram aplicados R$ 7,3 bilhões.
O superintendente regional estima que o valor disponibilizado inicialmente pela CEF será ampliado nos próximos dias. Isto porque o presidente Lula vai anunciar, no começo da próxima semana, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O programa vai prever investimentos em habitação também. Por isso, acreditamos que o orçamento regional será ampliado”, estima.
Financiamento
Para o financiamento e aquisição da casa própria, o consumidor pode obter Carta de Crédito da Caixa, Carta de Crédito do FGTS e carta de crédito pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) - dependendo da renda familiar. O financiamento pode ser de até 100% do valor do imóvel e o prazo de pagamento é de até 20 anos.
Para avaliar qual o perfil da família que ainda não tem casa própria, a CEF começou nesta semana um atendimento especial. Os interessados procuram o banco e dizem quanto dinheiro têm disponível para compra, reforma ou construção de uma casa. Informam também qual bairro pretendem comprar casa. Com base nesses dados, o banco traçará um perfil da demanda de Bauru e de outras cidades da regional.
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Casal espera
A empregada doméstica Daniela da Silva Prado tenta adquirir uma casa própria com o marido, através de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), há cerca de um ano. Porém, o plano do casal está esbarrando no custo do processo.
De acordo com Prado, a documentação exigida para dar entrada no pedido de empréstimo e as despesas com o corretor de imóveis vão gerar um gasto de R$ 2 mil. O valor supera a renda mensal dos dois juntos, que é de R$ 1.250,00.
“Nós não temos esse dinheiro para dar entrada no processo. Estamos juntando. Acredito que até o meio do ano conseguiremos. Só não sei se a casa que escolhemos ainda estará à venda”, ressalta.
Prado pretende quitar a casa num prazo de 8 anos, pagando R$ 246,00 por mês. Segundo ela, o crédito está pré-aprovado pela CEF. Mas, por enquanto, o casal terá de continuar pagando aluguel do imóvel onde mora. São R$ 200,00 mensais, quase o mesmo valor que pagariam pelo financiamento.