Entrelinhas

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Da Redação
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• Grande negócio

O acordo para o parcelamento da dívida de R$ 78 milhões com a Fundação de Previdência (Funprev) foi um grande negócio financeiro, operacional e administrativo para a prefeitura. Para o prefeito Tuga Angerami (sem partido), a negociação foi ainda melhor e traz benefícios que podem não ter sido vislumbrados em sua total amplitude.

• Efeitos na folha

A Prefeitura trocou repassar R$ 1 milhão por mês à Funprev por R$ 1,5 milhão, mas não vai mais recorrer a seu caixa para pagar R$ 1,3 milhão/mês do atuais aposentados e ainda se livrou de ter de pagar pela aposentadoria de outros 980 nos próximos anos. O atual e os próximos governos terão de ser responsáveis na condução desse quadro, tendo bom senso na redução do número de servidores e não atuar empurrando os que estão em licença-saúde ou em readaptação, por exemplo.

• DAE e Câmara

Para o Legislativo, já dissemos aqui na coluna que o acordo para o pacote previdenciário elimina uma folha mensal de R$ 71 mil. Mas no DAE os 384 aposentados, a metade praticamente de todo o quadro de servidores ativos atual, vai para Funprev, e a autarquia deixará de pagar R$ 196 mil por mês. Com todos esse números, o novo presidente da fundação, Gilson Gimenes, ainda está se inteirando dos dados e da estrutura que vai gerir, mas já sabe que terá de correr contra o tempo.

• Licença saúde

A atual administração precisa rever a política de segurança no trabalho e isso implica em dar efetivo funcionamento ao serviço criado pela gestão anterior, o Sesmet. A administração municipal gera em média 90 afastamentos por licença saúde por mês. Um número preocupante para quem precisa de mão-de-obra. Para não falar em vários outros tipos de afastamento.

• Disputa por conta

A Funprev será a partir de maio deste ano a segunda maior empresa com despesa de pessoal da cidade, perdendo apenas para a própria prefeitura com seus R$ 7 milhões mensais de pagamentos. Com mais de 2.140 beneficiários a administrar e pelo menos R$ 2 milhões a pagar todo mês, o comando da fundação já avisa que os bancos estatais terão de disputar esse filão para receber a conta. Quem oferecer mais, leva o bolo.

• Capitalização

Para quem precisa se capitalizar e lida com o dinheiro público, a medida é de bom senso. Medida, por sinal, que a prefeitura preferiu não adotar, aceitando receber apenas R$ 1,8 milhão do Banco do Brasil (BB) para transferir para o banco estatal as contas-salário dos servidores. O vereador Marcelo Borges (PSDB), que bateu no prefeito por esta medida, vai gostar de saber da medida a ser adotada pela Funprev.

• Pediu para sair

Darcy Rodrigues, ex-administrador da Regional da Sear no Centro, desativada pelo prefeito, também não é mais o diretor de Departamento de Controle, Uso e Ocupação do Solo da prefeitura, setor vinculado à Seplan. Ele pediu exoneração do cargo e foi atendido. Darcy sempre fez sérias críticas ao modelo de gestão adotado na prevenção de enchentes e no comando da Sear e as repetiu em janeiro passado, na CEI instalada pela Câmara Municipal para averiguar a farra na Sear.

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