Ser

Pés-de-valsa

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Já diz o ditado: “Quem canta, seus males espanta.” E quem dança também. Resultado de uma seqüência ritmada de movimentos corporais, a dança melhora a postura, locomoção, flexibilidade, auto-estima e contribui para a sociabilização - só para citar alguns benefícios desta arte milenar. Em busca de qualidade de vida, cresce o número de idosos que se rendem à dança, seja por aprendizado, atividade física ou lazer.

O casal formado pela dona de casa Mercedes Trabetti Torres, 68 anos, e o aposentado Oswaldo Torres, 79 anos, freqüentador assíduo dos bailes e noites dançantes realizados em clubes e associações de Bauru. Para ela, além de divertir, dançar é uma forma de cultivar a alegria e prevenir doenças. “Onde tem um som, eu estou me movimentando. Se um dia não puder dançar, ficarei muito triste”, diz.

Mas se depender de sua animação e da companhia do marido, este dia vai demorar para chegar. Mercedes e Oswaldo gostam tanto de dançar que costumam ser os noivos da quadrilha da festa junina do Serviço Social do Comércio (Sesc), onde fazem aula de ginástica e hidroginástica. “Eu tenho dois vestidos e o Oswaldo, dois blazers, para não repetir todos os anos.”

Não é de hoje que Mercedes e Oswaldo freqüentam os bailes. A dança acompanhou a história de amor deles, que são casados há quase cinco décadas. “Quando namorávamos, sempre íamos aos bailes, em Jaú, onde eu morava. Na época, tinha 17 anos e gostava dos Travoltas. E até hoje gostamos de dançar”, diz.

Ela gosta de todos os ritmos, desde forró até samba, mas o bolero é o seu predileto. As serestas são sagradas para o casal, que faz questão de se produzir especialmente para a ocasião. Mercedes, por exemplo, não dispensa o vestidos longos e a maquiagem. “Gosto de usar roupas com bordado e brilho. Acho que fica elegante”, diz.

Elegância é o que não falta à analista financeira aposentada Vera Lúcia da Silva, 57 anos. Fã da dança, ela adora se produzir para ir aos bailes da cidade. “Dia de seresta é sagrado”, conta. Nestas ocasiões, que em geral acontecem uma vez por mês, ela e um grupo de aproximadamente 16 amigos ficam na fila para reservar as melhores mesas do salão. Um de seus ritmos preferidos é o samba-canção. “Mas qualquer música que tocar eu danço”, diz, entusiasmada.

O amor de Vera pela dança é uma herança de sua mãe, Elza Raymundo Silva, 80 anos. Ela começou a bailar na juventude e até hoje se diverte no salão. “Minha mãe dança melhor do que eu”, observa.

Para Vera, o sucesso da dança é resultado de uma combinação de razões positivas. Entre elas, a oportunidade de conviver em grupo, melhora da auto-estima e capacidade de prevenir ou ajudar no combate de doenças. “Dançar faz bem. Nos bailes, conversamos bastante, conhecemos outras pessoas, formamos amizades”, diz. Segundo ela, no salão, o alto astral e a energia parecem contagiar a todos e espalhar sentimentos de alegria e bem-estar. “Nós relaxamos, nos exercitamos e até quem está doente fica bem”, diz.

A professora aposentada Maria Ivone Bonadio, 77 aos, tem opinião semelhante a de Vera. Embora não freqüente mais os bailes, ela tece diversos elogios à arte da dança. “Para minha vida, ela foi um verdadeiro alívio. Eu me sentia sozinha em Bauru porque minha família morava em outra cidade e a dança ajudou muito”, conta. “Participava de um grupo de dança muito animado. Costumávamos viajar para nos apresentar na região. Foi uma época muito boa, fiz amizades que duram até hoje.”

De acordo com Neusa Maria Carvalho Barbosa, professora de ginástica e dança do Serviço Social do Comércio (Sesc), a dança é uma forte aliada na melhora da qualidade de vida das pessoas, em especial na terceira Idade. Isto porque, ao incentivar o convívio em grupo, a atividade ajuda a elevar a auto-estima dos idosos, contribuindo na prevenção e até no tratamento de doenças.

“A dança ajuda a melhorar tudo aquilo que ‘dói’, todas as dores de origem biológica, psíquica e social”, afirma Neusa. “Os alunos do grupo de dança ficam amigos e é muito comum que eles se reúnam para lanchar, comemorar aniversários e freqüentar bailes”, detalha a professora.

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