São Paulo - As chuvas, leve pela manhã, forte no horário do almoço, não atrapalharam ontem o trabalho de retirada da grua de 120 toneladas e 40 metros de altura, que continuava na lateral da cratera aberta nas obras da futura estação Pinheiros, da linha 4-amarela do metrô.O processo de desmontagem começou por volta das 6h de ontem. Cerca de 30 funcionários participam da operação, além de três guindastes de 500, 300 e 200 toneladas e quatro contrapesos de 80t, para impedir deslocamentos.
Antes das 17h, toda a parte horizontal da grua e a ponta da torre haviam sido retiradas.Às 7h de hoje, o Consórcio Via Amarela, integrado pelas empresas Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrrea e Andrade Gutierrez, pretende retomar a desmontagem da torre, parte vertical de sustentação. Segundo a assessoria de imprensa do consórcio, o trabalho deve ser concluído em cinco dias.
O monitoramento da grua, visual e eletrônico, está sendo feito por engenheiros, técnicos e especialistas que analisam possíveis alterações nos níveis de inclinação, o que, segundo o consórcio, não oferecia risco desde sexta-feira, dia 12 de janeiro, quando ocorreu o acidente na obra do metrô. Por medidas de segurança, foram colocados cabos de aço com contrapeso para impedir deslocamentos da grua. Ela também está apoiada em um bloco sustentando por 18 estacas fixadas na rocha.
Durante a remoção, o trabalho de busca do Corpo de Bombeiros foi interrompido. Somente por volta das 17h de ontem, eles retornaram as buscas por uma possível sétima vítima.No mesmo horário, a via expressa da marginal Pinheiros foi liberada. A via local deve continuar interditada até as 5h de hoje. Depois desse horário, somente a faixa esquerda estaria livre para o trânsito, sendo que as duas outras devem continuar para uso exclusivo dos trabalhos na cratera, sem previsão de voltarem ao normal. Durante todo o dia de ontem, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, no máximo, 800 metros de congestionamento na via local.
Buscas
As buscas por uma suposta sétima vítima na cratera da obra do metrô se intensificaram na manhã de ontem. Os trabalhos, que ocorreram de forma parcial durante a madrugada, voltaram a contar com um efetivo maior no início da manhã. As cadelas farejadoras Dara e Anny, do Corpo de Bombeiros, estão novamente nos escombros para auxiliar no trabalho de localização da possível vítima.
O objetivo é saber se o office-boy Cícero Augustinho dos Santos, 61 anos, desaparecido desde o dia 12, está nos escombros da obra da futura estação Pinheiros da linha 4 do metrô de São Paulo. As duas cadelas voltaram a realizar buscas na tarde de sábado na área do desabamento e apontaram indícios de um possível sétimo corpo próximo ao local onde estava o microônibus, no qual foram encontradas quatro vítimas.
A operação de buscas está sendo feita na parte superior da cratera com a ajuda de uma retroescavadeira. Na noite de anteontem também foram iniciados os trabalhos de preparação para a retirada da grua de 80 toneladas que está no local. No início da madrugada de ontem, o Comando do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo divulgou uma nota à imprensa na qual afirmava que as buscas por eventuais vítimas no acidente da linha 4 do metrô não haviam sido suspensas desde às 14h75 de anteontem.
Riscos
Dois geólogos entrevistados pela reportagem afirmam que o consórcio responsável pelas obras da linha 4 optaram pela técnica de construção de maior risco. Kenzo Hori e Adalberto Aurélio Azevedo defendiam um método construtivo diferente do que foi adotado pelo Consórcio Via Amarela com a concordância da direção do Metrô. Eles afirmam que aquele trecho da linha amarela tinha de ser construído por um equipamento conhecido como “shield” (escudo, em tradução literal) ou TBM (Tunnel Boring Machine), o popular “tatuzão”.
O edital do Metrô para a licitação também obrigava o vencedor a comprar dois “tatuzões”. No entanto, o Consórcio Via Amarela, que ganhou a disputa, conseguiu mudar o edital e comprou um só. Segundo Hori, responsável pelo levantamento geológico da linha 4 quando trabalhava no metrô, havia informação geológica suficiente disponível para fazer um estudo detalhado do solo onde é feita a obra da futura estação Pinheiros.