O calendário da 22ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW) começou ontem trazendo, além do culto à moda e ao estilo, uma preocupação a mais: a saúde e o bem-estar das modelos que participam do evento.
Lembrando os recentes casos de anorexia, neste ano a organização do evento de moda mais badalado do País inaugura um projeto em parceria com as agências de modelos para a promoção da saúde e do bem-estar de jovens atuantes na profissão. Em parceria com institutos especializados da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ontem a direção do evento promoveu uma série de palestras com médicos, psicólogos e nutricionistas.
Os profissionais falaram da importância da educação alimentar para modelos e seus pais. Nos seis dias de desfiles, só poderão circular pelas passarelas as modelos que apresentarem um atestado médico excluindo eventuais problema de saúde.
O evento também distribuirá uma cartilha sobre como manter um estilo de vida saudável. Paulo Borges, diretor artístico do evento, defendeu também a decisão de contratar apenas modelos acima de 16 anos para esta edição. “Entre 11 e 15 anos, a modelo está em fase de desenvolvimento e ainda existe um risco”, considera.
Segundo ele, a explosão mundo afora de supermodelos “made in Brazil” pode ser uma possível explicação para que tantas jovens insistam na carreira. “Praticamente todos os Estados do País geraram um talento: Fernanda Tavares (RN), Carol Ribeiro (PA), Raica (RJ), Adriana Lima (BA), Gisele (RS)], mas para ser modelo não basta vontade, tem de haver vocação.”