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Mulheres construindo outro mundo


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Ao contrário das primeiras edições do Fórum Social Mundial, em Nairobi, as mulheres são maioria tanto nas 1200 atividades programadas quanto nas manifestações e nas ruas entre os locais onde ocorrem as atividades. Roupas típicas colorem o ambiente do fórum, ao contrário do Brasil onde predominam o jeans.

A presença de três mulheres detentoras do prêmio Nobel da Paz atraiu muitas jornalistas. Elas organizaram o painel Mulheres construindo um outro mundo: Jodi Williams (1997), Shirin Ebadi (2003) e Wangari Maathai (2004), informa a Agência Repórter Social.

No mundo inteiro, as mulheres sempre lutaram pela paz, há séculos, há milênios. As mutilações genitais, a escalada da aids e as intervenções estrangeiras tornam cada vez mais distante a realização do sonho da paz. Estamos assistindo uma nova intervenção na África (Somália); perduram as mutilações genitais; há quem queira, a todo custo, defender a permanência das lapidações de mulheres; ainda se tem que lutar para que as mulheres tenham direito de escolher seu companheiro; muitas ainda são obrigadas a percorrem muitos quilômetros em busca de água. Os colonizadores deixaram uma tétrica herança: o incentivo aos conflitos fratricidas que alimenta a indústria bélica.

Não foi sem razão que meninas saíram às ruas reivindicando o fim das mutilações genitais: no mundo há mais de 100 mil mutiladas.

Para enfrentar esses desafios, as três laureadas juntaram-se a outras três: Rigoberta Menchù, Betty Williams e Corrigan Maguire e criaram a organização Nobel Women´s Iniciative.

Segundo a advogada iraniana Shirin Ebadi, as mulheres desempenham papel fundamental na construção da paz “Porque as mulheres não são apenas cidadãs elas mesmas, mas têm uma enorme capacidade de impactar as gerações futuras através dos filhos, e mesmo os maridos”.

Nesta sétima edição do FSM, marcante é a face feminina. Jodi Williams, lutando pelo banimento das minas terrestres, mereceu o Nobel da Paz. Descobriu a força propulsora contida nas mobilizações femininas: ”milhares de mulheres trabalham incansavelmente e em silêncio para mudar o mundo em todos os lugares do planeta. É esse trabalho que queremos ressaltar”, valendo-se do prestígio do Premio Nobel.

Mobilizando milhares de mulheres a plantar árvores, a ambientalista Wangari Maathai acredita que só o fortalecimento dos movimentos e organizações sociais levarão às mudanças, só lutas populares, alternativas populares levarão a mudanças de fato, “mudanças que passarão, com certeza, pelas mãos das mulheres.”

A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora de Opinião e presidente do Conselho da Mulher de Lins

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