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Médico cria técnica inédita para desobstruir válvula de coração

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí – O cirurgião cardíaco José Pedro da Silva, 59 anos, desenvolveu método inédito que permite corrigir uma anomalia que afeta uma válvula do coração conhecida como Anomalia de Ebstein. A técnica, que aumenta a expectativa de vida das pessoas que sofrem da doença, foi publicada este mês em uma das mais conceitudas revistas médicas do mundo, a “The Journal of Thoracic and Cardiovascular Surgery” (Revista de Cirurgia Torácica e Cardiovascular).

Silva, que é nascido em Pirajuí (a 58 quilômetros de Bauru), já havia ganho notoriedade em 1993, quando conseguiu a marca de ser o primeiro médico no Brasil a implantar um coração auxiliar em um paciente de 50 anos. O feito lhe valeu a citação no “Guiness Book”.

A nova técnica desenvolvida por Silva trata de pacientes que sofrem com anomalia que atinge a válvula do coração conhecida por tricúspide, localizada entre o átrio direito e o esquerdo do coração. Na anomalia, parte da válvula fica dentro do ventrículo direito em vez de ficar na entrada do ventrículo, ou seja, fica deslocada.

Segundo o médico, as pessoas que nascem com esta doença têm uma expectativa de vida muito baixa, de cerca de 37 anos. Isso se deve ao fato de o sangue não poder circular como deveria pelo órgão, já que a válvula é defeituosa. A doença corresponde a 1% de todas as cardiopatias congênitas do coração no mundo.

“A longo prazo esta doença limita a vida das pessoas, que têm tendência a ficarem roxas. Depois de algum tempo, o coração vai dilatando e a expectativa de vida fica limitada. Muitas morrem na infância”, explica Silva.

Preocupado em encontrar uma solução para o problema, alguns anos atrás o médico acabou desenvolvendo um método que transforma a válvula anormal em formato de cone, permitindo, dessa forma, que o sangue circule regularmente no órgão. Silva explica que existem várias técnicas para corrigir a anomalia, no entanto, a criada por ele é a que está apresentando maiores benefícios aos pacientes.

Até então, eram duas as técnicas mais conhecidas no mundo, uma americana e a outra francesa. Depois de realizar cerca de 53 operações em pessoas que apresentavam a anomalia no Brasil, a técnica do brasileiro está sendo reconhecida pela comunidade médica mundial. Há dois anos ele fez uma conferência em Berlim, na Alemanha, além de ter participado de congressos nos Estados Unidos e no Brasil, sempre destacando o seu trabalho.

O novo método para corrigir a Anomalia de Ebstein foi desenvolvido por Silva entre os anos de 1989 e 1993. O primeiro paciente a ser beneficiado com a técnica foi uma menina de Minas Gerais, em 1993. O método foi aplicado em pessoas de idade que variam de 3 meses até 40 anos.

Pelo menos duas vantagens podem ser apontadas no método criado por Silva na comparação com as duas técnicas: o baixo custo do procedimento e o aumento na expectativa de vida do paciente.

Para se ter uma idéia, no método do médico americano a prótese artificial chega a custar entre R$ 800,00 a R$ 13 mil. E ela tem de ser trocada depois de alguns anos. Segundo Silva, só o fato do seu método dispensar a prótese, já barateia o custo da operação.

O aumento da expectativa de vida, por sua vez, se deve ao fato de na técnica brasileira o paciente não precisar fazer novas operações e, portanto, ser mais eficiente e diminuir os riscos. O médico lembra que dos 53 pacientes operados pelo seu método até agora apenas um foi a óbito.

Perfil

José Pedro da Silva se formou em medicina na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. Durante quatro anos cursou a Cleveland Clinic Foundation, além da universidade de Stanford, em Boston, ambas nos Estados Unidos.

Durante o período em que esteve nos EUA, desenvolveu técnicas de cardiopatias congênitas e de transplantes cardíacos. Depois de ter participado de vários congressos e palestras, o cirurgião teve seus trabalhos publicados e reconhecidos em nível nacional e internacional.

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