Cultura

Fugitivo da guerra do Líbano vira astro da música pop

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Se você ainda não ouviu “Grace Kelly”, pode ter certeza de que essa música vai te pegar, com seu piano suingado e o vocal em falsete no refrão. A voz meio Freddie Mercury, meio Rufus Wainwright, com os agudos de Jake Shears, vocalista dos Scissor Sisters, é do cantor, compositor e pianista libanês Mika, 23 anos. Seu primeiro disco, “Life in Cartoon Motion”, chega às lojas apenas nesta semana, mas o rapaz já fez história.

Mika pode se vangloriar de ter sido o segundo artista da história a colocar uma música - justamente “Grace Kelly” - no primeiro lugar da parada britânica apenas com venda por downloads e acessos a sua página no MySpace (www.myspace.com/mikamyspace). O primeiro foi o duo Gnarls Barkley com “Crazy”, a música mais legal do ano passado.

Além disso, o cantor foi eleito o artista mais promissor do ano em uma pesquisa realizada pela rede BBC com mais de 130 profissionais da música e dos meios de comunicação britânicos. Ele ainda ficou em 12.º lugar entre as “25 Razões para Amar 2007”, lista da revista americana “Blender”.

Em entrevista à revista, ele afirma que não quer ser apenas um cantor e compositor, mas sim um líder, “o dono do picadeiro”, como Prince, Beck e Harry Nilsson. “Eu amo a idéia de um artista solo comandar seu show inteiro, transcendendo gêneros e fazendo o que ele quiser”, afirma.

Nascido em Beirute em 1983, Mika Penniman teve que emigrar fugindo da guerra civil libanesa. Passou pelo Kuwait e por Paris antes de se estabelecer em Londres, onde, já aos 9 anos, decidiu se dedicar à música. “Comecei a escrever músicas ainda criança, não porque tivesse grandes ambições, mas porque para mim era uma maneira fácil de contar uma história, uma brincadeira e freqüentemente a realidade”, explica o artista em seu MySpace.

Formado na Royal College of Music, em Londres, onde aprendeu a tocar piano e a escrever, compor e produzir suas próprias músicas, Mika demorou para entrar no mundo da música. Ele passou cinco anos batendo, sem sucesso, nas portas dos selos fonográficos. O voto de confiança para o lançamento do primeiro disco veio de uma produtora de Miami, no ano passado.

Em entrevistas, Mika comenta que cresceu escutando de tudo, de Bob Dylan a Serge Sainsbourg, passando por flamenco, concertos de Bach, Prince, David Bowie e Elton John – que ele admira por sua “capacidade de fazer grandes discos com visão própria”. A crítica vem comparando seu trabalho ao do grupo Scissor Sisters - pelo clima “muito feliz” das canções – e a Freddie Mercury, em especial por conta da semelhança vocal.

“Life in Cartoon Motion” é uma mistura “technicolor”, brilhante e dançante, das influências do cantor e compositor libanês, onde a música regional, o flamenco, Elton John, a disco music e os Beatles coexistem sem qualquer problema. “Os Beatles me ensinaram que você pode colocar qualquer coisa em uma canção pop e fazer aquilo dar certo”, comentou Mika à “Blender”.

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