É sabido que dinheiro não dá em árvore, mas ele sempre rende bons frutos quando bem aplicado. O mercado financeiro oferece várias opções de investimentos, mas como saber qual é a mais indicada? Especialistas ouvidos pelo Jornal da Cidade dão algumas dicas de como obter ganhos com aquele dinheirinho que sobra no final do mês.
Para uns, a poupança pode ser a opção mais vantajosa. Para outros, investir na Bolsa de Valores ou em fundos de renda fixa poderá proporcionar um lucro maior. Treze anos após a implantação do Plano Real, parece que os juros altos estão com os dias contados, o que obriga o investidor a pensar a longo prazo.
De acordo com os especialistas, a estabilidade econômica está forçando uma mudança de comportamento. Será preciso um pouco mais de ousadia àqueles que querem ver o dinheiro crescer com mais rapidez. Em um País de economia estável, como parece ser o caso do Brasil, as aplicações mais seguras normalmente rendem menos enquanto as mais arriscadas oferecem possibilidades de lucro maior.
“Quanto maior o risco que se corre, maior é a possibilidade de lucro”, afirma o economista Mauro Fernando Gallo. De acordo com esse raciocínio, a caderneta de poupança, a mais popular das aplicações financeiras, está entre as de menor rendimento.
A principal vantagem da poupança é a segurança que ela oferece ao poupador. Mesmo rendendo pouco, o lucro é garantido. É uma garantia que outras aplicações não oferecem.
Na avaliação do economista, a poupança é também a melhor opção para o pequeno investidor, aquele que deposita R$ 50,00 ou R$ 100,00 por mês. Além de ter uma flexibilidade maior de movimentação, o cliente não paga imposto de renda sobre o lucro obtido nem a taxa de 0,38% da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Mas para isso, é preciso deixar o dinheiro aplicado por pelo menos 90 dias.
A gerente de Contas Estilo do Banco do Brasil, Marina Novelli Lorenzetti Gil, que trabalha há 14 anos na área de investimentos, também afirma que a poupança ainda é o melhor negócio para o pequeno investidor.
A poupança é remunerada com base na variação da taxa referencial (TR) mais juros de 0,5% ao mês. No ano passado, o rendimento real (descontada a inflação) foi de 5,2%, o maior desde 1998. O índice chegou inclusive a superar o de alguns fundos de renda fixa no ano passado.
Apesar da recuperação mostrada pela poupança em 2006, ela continua sendo a menos rentável das aplicações, segundo Gallo. Ele lembra que no ano passado, a média de ganho na Bolsa de Valores girou em torno de 33%, enquanto os fundos de renda fixa e ouro ficaram em 12%.
“Sem dúvida, a longo prazo, as ações são uma boa alternativa de investimento”, afirma o economista. Na opinião dele, essa modalidade de aplicação só é vantajosa se o cliente tiver condições de deixar o dinheiro na bolsa por pelo menos um ano. Seria o tempo para recuperar eventuais perdas com as freqüentes oscilações das ações.
Da mesma forma, investir em fundos de renda fixa também exige um pouco de paciência. É recomendável não mexer no dinheiro aplicado nos primeiros 30 dias. Se isso acontecer, o investidor pode ter prejuízo porque ele terá de pagar uma taxa (IOF) que varia de 0% a 60%. Quanto mais tempo deixar o dinheiro investido menor será o imposto. Após 30 dias, o saque é livre.
Quem aplica em fundos de renda fixa paga imposto de renda mensalmente, em alíquota de 20% sobre o total da renda gerada. O valor é debitado da conta. O investidor também paga CPMF (0,38%) quando o dinheiro sai da conta corrente para o fundo. Os títulos da renda fixa podem ser tanto privados quanto públicos. Eles incluem letras hipotecárias, RDB, CDB, debêntures e títulos públicos estaduais e federais, entre outros.