Os trabalhadores rurais que se encontram presos em Bauru e região e que não sabem ler nem escrever podem ser alfabetizados através de um programa que aguarda aval da Justiça para ser executado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
A informação é da coordenadora do órgão em Bauru, Cleusa Eunice Evaristo. Segundo ela, o projeto foi sugerido pela Federação da Agricultura no Estado de São Paulo. Porém, a entidade ainda negocia a viabilização da proposta com o Tribunal de Justiça (TJ), que põe em questão a segurança dos professores. “As aulas seriam ministradas dentro dos presídios. Por isso, está havendo uma discussão maior sobre a viabilidade ou não desse programa”, comenta.
Ainda de acordo com Cleusa, não há nenhum levantamento sobre a demanda de presos - cuja origem é do campo - que existe em Bauru e região.
O presidente do Sindicato Rural, Maurício Lima Verde, acredita que metade dos detentos que estão presos no Município e nas cidades vizinhas, seja do campo. “É provável que atinja esse número, principalmente por conta dos reeducandos do IPA (Instituto Penal Agrícola)”, conclui. Enquanto o projeto não começa a sair do papel, o Senar dará prosseguimento ao Programa de Alfabetização para Trabalhadores Rurais sem Escolaridade”.
Universo particular
A iniciativa, que desde 1999 alfabetizou 250 pessoas na área rural de Bauru e região, adota o modelo pedagógico de Paulo Freire. O processo educativo leva em consideração o universo vocabular do aluno, isto é, a pessoa é alfabetizada levando-se em conta o meio onde vive.
O curso tem duração de oito meses e recomeçará em março. As inscrições podem ser feitas até 28 de fevereiro pelo telefone (14) 3226-3695. Entretanto, uma equipe da Senar visitará as comunidades rurais em busca de alunos. “Faremos um mutirão de inscrições aos domingos. O objetivo é formar três turmas com até 20 alunos”, ressalta a professora Vanessa Evaristo, que leciona no projeto.
Conforme o presidente do Sindicato Rural de Bauru, os alunos são assistidos com materiais escolares, alimentação e transporte, no caso daqueles que moram fora da comunidade rural onde as aulas são lecionadas. O investimento, por ano, chega a R$ 200 mil. A população que vive no campo têm acesso a cursos técnicos de agricultura e também de geração de renda.